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Conversão
Em Milão, Agostinho começa a frequentar a catedral, desejoso de verificar a fama
de bom orador do bispo local, Ambrósio. As palavras do Bispo Milanês, porém, vão,
de vagar, pacificando a inquietude de Agostinho e sua constante busca da verdade, identificada com a sabedoria. Assim, ele vai se aproximando cada vez mais da fé católica, que pretende conhecer melhor, e esta vai lhe parecendo mais crível e mais racional que as fábulas dos maniqueus. Por isso, além de outros motivos,
encontra-se, já aberto à fé católica, com Simpliciano, com Ponticiano e com
outros
personagens cristãos conhecedores dos filósofos e dos clássicos.
Em meio às suas conversações sobre a fé católica, Simpliciano e Ponticiano narram
a Agostinho a respeito de personagens que tinham deixado tudo para seguir a Deus,
o que se torna para ele motivo de autoquestionamento. Assim, seu processo de conversão, iniciado com a leitura do Hortênsio de Cícero, atínge o cume ao ler,
num jardim de Milão, a Carta de São Paulo aos Romanos (13, 13) e chega ao ponto
de
não-retorno. Ocasião em que brilhou para ele, diz, a luz da serenidade.
Agostinho tem, neste período, 32 anos. Daí em diante, seu ideal é conhecer Deus e alma humana; aprofundar na fé abraçada. Continua a dar aulas, mas já está decidido a abandonar sua atividade docente, o que fará ao terminar o ano acadêmico. Então, retira-se, em 386, com seus amigos em uma chácara que lhes tinha sido emprestada por um amigo em Cassisciaco.
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Tinha cogitado antes uma comunidade de amigos dedicados ao estudo, que não funcionaria devido às mulheres (de fato, ainda vivia com sua concubina, que deixou em vista de um conveniente matrimônio, jamais realizado; o filho, Adeodato, permaneceu com Agostinho).
Em Cassisciaco descansa e reflete, escreve e partilha com seus amigos a preparação para o batismo. Todos convivem orientando seus passos, cada vez mais firmemente, rumo a Deus. Ao chegar a páscoa do ano 387, Agostinho e seu filho Adeodato recebem o batismo pelas mãos de Ambrósio. |