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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 24 DE JUNHO DE 2018

Neste dia, a celebração do 12º Domingo do Tempo Comum cede seu lugar para a Solenidade do Nascimento de São João Batista, uma festa muito enraizada na religiosidade popular na qual recebe destaque o Precursor do Senhor, aquele do qual Ele disse: “Entre os nascidos de mulher ninguém é maior do que João” (Lucas 7,28).

João Batista foi o último dos profetas e o único do Novo Testamento. A Liturgia da Palavra apresenta-nos a missão do profeta
(1ª leitura), a qual foi assumida por João até as últimas consequências, como relata Lucas (2ª leitura), sendo que tudo indicava ser objeto de uma vocação especial (evangelho) desde o seu nascimento.


1ª LEITURA: Isaias 49, 1-6

1 Ilhas, escutem; prestem atenção, povos distantes. Eu ainda estava no ventre materno, e Javé me chamou; eu ainda estava nas entranhas de minha mãe, e ele pronunciou o meu nome. 2 Ele fez da minha língua uma espada afiada e me escondeu com a sombra de sua mão; ele me transformou numa seta pontiaguda e me guardou na sua caixa de flechas. 3 Ele me disse: «Você é o meu servo, Israel, e eu me orgulho de você». 4 Eu então respondi: «Cansei-me inutilmente, gastei minhas forças à toa, em nada. Enquanto isso, quem defendia os meus direitos era Javé, o meu pagamento estava na mão de Deus». 5 Agora fala Javé, que desde o ventre me formou para ser o seu servo, para eu lhe trazer de volta Jacó e reunir Israel para ele. (Serei glorificado aos olhos de Javé; Deus é a minha força.) 6 Ele diz: «É muito pouco você tornar-se o meu servo, só para reerguer as tribos de Jacó, só para trazer de volta os sobreviventes de Israel. Faço de você uma luz para as nações, para que a minha salvação chegue até os confins da terra».

Neste texto descrevem-se as características da missão profética. Desde o início (“ainda estava no ventre materno”), o Servo recebe a missão de anunciar a Palavra de Deus (“ele pronunciou o meu nome”) para reunir e restaurar o povo disperso e anunciar com coragem a mensagem de Deus (“fez da minha língua uma espada afiada”) mesmo que tenha que passar por momentos difíceis de desânimo (“cansei-me inutilmente, gastei minhas forças à toa”). Sabe, porém, que o Senhor aceita seu trabalho («Você é o meu servo... e eu me orgulho de você») e lhe encomenda a nova tarefa de ser “luz para as nações”
a fim de que a “salvação chegue até os confins da terra”. Com estas palavras, Isaias evoca a figura de João Batista, o precursor do Senhor.

No caso de João Batista, o evangelista (Lucas 1. 41-44) lembra-nos o encontro de Maria, grávida de Jesus, com Isabel, grávida de João, no qual pulou de alegria no seio de sua mãe como se já sentisse o chamado de preparar o caminho do Senhor. De fato, com a pregação de João Batista já começa a espalhar-se a Boa Nova de Jesus.


2ª LEITURA: Atos dos Apostolos 13, 22-26

22 Após depor Saul da realeza, Deus suscitou para eles o rei Davi, do qual prestou o seguinte testemunho: 'Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração; ele cumprirá todas as minhas vontades'. 23 Conforme havia prometido, Deus fez surgir da descendência de Davi um Salvador para Israel, que é Jesus. 24 E João, o precursor, havia preparado a chegada de Jesus, pregando a todo o povo de Israel um batismo de arrependimento. 25 Estando para terminar a sua missão, João declarou: 'Não sou aquele que vocês pensam que eu seja! Vejam: depois de mim é que vem aquele do qual não mereço nem sequer desamarrar as sandálias! 26 Irmãos, descendentes de Abraão e não-judeus que adoram a Deus, esta mensagem de salvação foi enviada para nós.

No primeiro discurso como missionário, Paulo apresenta uma breve síntese da história da salvação e indica alguns acontecimentos significativos que vêm mostrar Jesus como a culminação de toda a história do amor de Deus pela humanidade.

Neste contexto, a figura de João Batista aparece de forma bem diferenciada a respeito dos outros profetas que vieram antes dele, sendo ao mesmo tempo complemento deles. Representa o último elo da ação realizada por Deus na preparação da vinda do Salvador. Jesus é a Palavra da Salvação. É por isso que João não aponta para si mesmo, mas para Cristo (“Depois de mim é que vem aquele do qual não mereço nem sequer desamarrar as sandálias!”). O que realmente importa é a Palavra de Salvação encarnada em Jesus. João viveu toda a sua vida em função da preparação da vinda do Senhor.


EVANGELHO: Lucas 1, 57-66.80

57 Terminou para Isabel o tempo de gravidez, e ela deu à luz um filho. 58 Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido bom para Isabel, e se alegraram com ela. 59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60 A mãe, porém, disse: «Não! Ele vai se chamar João.» 61 Os outros disseram: «Você não tem nenhum parente com esse nome!» 62 Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63 Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: «O nome dele é João.» E todos ficaram admirados. 64 No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. 65 Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. 66 E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: «O que será que esse menino vai ser?» De fato, a mão do Senhor estava com ele................80 O menino ia crescendo, e ficando forte de espírito. João viveu no deserto, até o dia em que se manifestou a Israel.

Cumpriu-se o tempo de Isabel dar à luz. O nascimento de uma criança é sempre motivo de alegria, mas, neste caso, “os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido bom para Isabel, e se alegraram com ela” porque era algo extraordinário, sendo o pai da criança velho e a mulher estéril. Só por Deus, para quem nada é impossível.

É assim que se entende a história do nome («O nome dele é João» = Deus se compadeceu). Os pais sabem que a criança é um dom de Deus e pertence a Deus. Sabem que Ele a destinou para realizar a sua obra. Certamente, os parentes se perguntavam a razão desse nome estranho à tradição familiar. Não sabiam eles que quando Deus escolhe alguém como testemunha e mensageiro, quando coloca um homem ou uma mulher diante de Jesus para que o aceite, se entregue a Ele como Senhor e se disponha a segui-lo como discípulo, isso não é um acontecimento comum porque tudo o que de bom essa pessoa um dia for suscitar, fará dele um discípulo, um sacerdote, uma religiosa ou um cristão comprometido.

Isto é algo que supera os costumes familiares e quanto o ser humano é capaz de fazer por suas próprias forças.
Se alguém receber esta vocação, não será por ser filho de seus pais ou por ter sido educado para isto. Será por um desígnio de Deus. Como no caso de João Batista, o nome tradicional já não serve mais. Existe um nome novo que a pessoa que segue Jesus irá descobrindo a medida que for chegando à plena realização do seu ser e da sua personalidade ("Agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos. Sabemos que, quando se manifestar seremos semelhantes a Ele". (1João 3,2)A manifestação plena de filhos de Deus é o caminho da santidade à qual somos chamados.

            A festa do nascimento de São João Batista sempre foi muito popular ao longo da história entre o povo católico. O folclore com suas fogueiras, danças e festejos permanece vivo até hoje. A Igreja cuidou de colocar esta celebração justo seis meses antes do Natal para aplicar à liturgia a palavra do anjo na anunciação a Nossa Senhora: “A sua parenta Isabel: apesar da sua velhice, ela concebeu um filho. Aquela que era considerada estéril, já faz seis meses que está grávida”. (Lucas 1,36).

João foi um personagem conhecido no seu tempo. O historiador Flavio Josefo o cita na sua obra. Para a fé cristã significa o fim do Antigo Testamento e o inicio do Novo. Como precursor do Senhor, seu nome significa: "Deus se compadeceu". O seu exemplo de vida pode servir-nos para uma proveitosa reflexão.

O Batista, porém, não foi um religioso pertencente à classe sacerdotal, com ideias certinhas e sem compromisso com a evolução do mundo. Não se limitou a pensar ou falar; ele assumiu uma atitude crítica diante do mundo em que viveu.

O nosso mundo, também, é um mundo em crise e mudança. Não faltam pessoas com ideias aparentemente certas, tanto no âmbito civil quanto no religioso. Pensa-se e escreve-se de forma “politicamente correta”, mas o compromisso não passa disso e, desta forma, a verdade perde sua característica de denuncia para vir reforçar o sistema estabelecido.

João é o oposto daquele Herodes que se manteve no poder em meio aos câmbios políticos havidos no Império Romano. Ao contrário dele, João Batista nunca foi “um caniço agitado pelo vento” (Mateus, 11,7). Sempre se comportou movido pela fé. Esta é uma característica da sua personalidade que deve fazer-nos refletir. No fundo, trata-se de amar a verdade, não só de palavra, mas comprometendo nela a própria vida. Nesse sentido, nós também não podemos deixar-nos levar pela correnteza social que justifica a injustiça. O exemplo de João Batista nos levará a agir pelo bem dos irmãos.

Neste sentido é preciso lembrar que a palavra "espiritualidade" significa, para o cristão, viver deixando-se conduzir pelo Espírito de Jesus sem fugir da realidade e sendo capaz de discernir em nosso mundo os valores positivos assim como os contravalores que devem ser rejeitados e denunciados, mesmo em contra dos interesses criados.

O que permitiu ao Batista agir desta forma, porém, foi a consciência de que vivia em função de Jesus e estava preparando o caminho d’Ele. Por isso, nada construiu para si, sabendo-se ponte e intermediário em direção ao Salvador e estando pronto para desaparecer quando a sua missão estivesse concluída.

Um maravilhoso exemplo de fidelidade e humildade para todos nós!

+ A atitude do Batista é a do verdadeiro discípulo de Jesus, que sabe agir de forma a facilitar o encontro dos irmãos com o Mestre. Também a Igreja não existe para si mesma. O que importa é que, através da sua pregação e testemunho, as pessoas descubram o verdadeiro Salvador. Seu objetivo, como na passagem da samaritana, é fazer com que as pessoas digam: «Já não acreditamos por causa daquilo que você disse. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, de fato, o salvador do mundo» (João, 4,42). Conseguido isto, a nossa missão estará cumprida.

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1º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO NACIONAL -
13, 14 E 15 DE julho DE 2018 EM sÃO PAULO (SP)

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