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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 17 DE DEZEMBRO DE 2017

Um ambiente de alegria e gratidão imprégna a celebração deste Domingo, na medida em que vamos aproximando-nos do Natal, quando celebraremos o grande MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO DO SENHOR .

O texto do profeta Isaías (1ª leitura), é o mesmo que foi citado por Jesus quando, no inicio de sua vida pública, leu esta profecia na sinagoga indicando que era n'Ele que estava se realizando (Lucas 4,16-30). Por outro lado, o evangelista João nos apresenta o testemunho que João Batista deu a respeito da identidade de Jesus diante dos sacerdotes e levitas enviados pelas autoridades dos judeus (evangelho). Jesus é o Messias (o Ungido), aquele que o profeta Isaias anunciara, diante do qual é necessário preparar o caminho mediante uma sincera conversão. Conversão que, no entender de Paulo, é motivo de alegria e ação de graças (2ª leitura) porque nos coloca em plena sintonia com a vontade de Deus.

1ª LEITURA: Isaías 61,1-2a.10-11

1 O Espírito do Senhor Javé está sobre mim, porque Javé me ungiu. Ele me enviou para dar a boa notícia aos pobres, para curar os corações feridos, para proclamar a libertação dos escravos e pôr em liberdade os prisioneiros, 2 para promulgar o ano da graça de Javé,.............10 Transbordo de alegria em Javé, e me regozijo com meu Deus, porque ele me vestiu com a salvação, cobriu-me com o manto da justiça, como o noivo que se enfeita com turbante, e a noiva que se adorna com jóias. 11 Assim como a terra faz brotar uma nova planta, e o jardim faz germinar suas sementes, assim também o Senhor Javé faz brotar a justiça e o louvor na presença de todas as nações.

O profeta Isaías fala do mensageiro enviado por Deus, ungido pelo Espírito Santo como Messias, para ser porta-voz de uma boa notícia, que é a libertação dos pobres e marginalizados. Ele afirma, de forma clara, que Deus tem um projeto de salvação, especialmente para os pobres, isto é, para todos aqueles que vivem numa situação de carência de bens, de dignidade, de liberdade, de justiça e de vida digna. O profeta garante que Deus os ama, que não os abandona à sua miséria e sofrimento e que tem um projeto de vida, alegria e felicidade para aqueles que foram ficando à margem no caminho da vida.

Esta “boa notícia” deve encher de esperança todos aqueles (de ontem e de hoje) que não têm acesso aos bens essenciais, que não têm vez nem voz, que são injustiçados, explorados e engolidos por um sistema econômico que gera exclusão e miséria. O Deus em quem acreditamos não é um Deus indiferente à a exploração, mas é um Deus que ama cada pobre explorado e injustiçado; Ele está do lado dos que sofrem, dando aos pequenos, aos marginalizados e aos excluídos a força necessária para vencer a opressão.

Cada cristão é um profeta, chamado a ser testemunha de Deus e sinal vivo do seu amor, da sua justiça e da sua paz. Devemos sentir-nos capazes de testemunhar o amor, a vida e a liberdade que Deus quer para todos. Temos a missão de sermos, para os excluídos, um sinal vivo do amor de Deus e lutar por um mundo melhor porque o equilíbrio na convivência entre as pessoas só pode estar no respeito ao direito e na prática da justiça de forma que, superando a pobreza (sempre injusta), aliviando o sofrimento das pessoas, libertando o ser humano de todo tipo de escravidão e garantindo a vida em liberdade, todos se sintam respeitados e felizes.


2ª LEITURA: 1 Tessalonicenses 5,16-24

16 Estejam sempre alegres, 17 rezem sem cessar. 18 Dêem graças em todas as circunstâncias, porque esta é a vontade de Deus a respeito de vocês em Jesus Cristo. 19 Não extingam o Espírito, 20 não desprezem as profecias; 21 examinem tudo e fiquem com o que é bom. 22 Fiquem longe de toda espécie de mal. 23 Que o próprio Deus da paz conceda a vocês a plena santidade. Que o espírito, alma e corpo de vocês sejam conservados de modo irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. 24 Quem chamou vocês é fiel e realizará tudo isso.

Paulo começa por pedir aos tessalonicenses que vivam alegres (“estejam sempre alegres”) e que pautem a sua vida por uma intensa oração (“rezem sem cessar”), sobretudo a oração de ação de graças (“deem graças em todas as circunstâncias”).

O cristão é alegre, porque sabe para onde caminha e está certo de que no final da caminhada encontrará os braços amorosos do Pai que o acolherão e conduzirão para a felicidade plena. Nem os sofrimentos, nem as dificuldades, nem as incompreensões, nem as perseguições poderão eliminar essa alegria serena de quem confia no encontro com o Senhor (Mateus 5,11-12). Para o apóstolo Paulo, o verdadeiro cristão se reconhece pela alegria (fruto do Espírito), sendo que o caminho dele deve ser percorrido num diálogo nunca acabado com Deus através da oração.

São três os elementos que estão intimamente relacionados entre si:

+ A alegria, não como consequência de uma situação pessoal de prosperidade nem como fruto de uma resignação estóica diante do sofrimento, mas como dom de Deus que pode experimentar-se até mesmo na dor, no fracasso e na perseguição.

+ Esta alegria nasce da oração, especialmente da Eucaristia, e se comunica mais facilmente ao abrimos espaço em nossa vida para degustar a presença do Senhor; pois é através da oração que se recebe a consolação, a paz, a esperança e a fortaleza que só Deus pode dar.

+ A alegria se fundamenta na esperança do Senhor que vem. Esta esperança se alimenta e perdura pela participação na comunidade cristã.

Quando passamos por problemas familiares, desemprego, a morte de seres queridos, como conservar esta alegria do coração? Apoiando-nos na esperança que nos anima; nela se fundamenta a nossa fé. Os problemas são reais, mas nem por isso poderão acabar com o nosso otimismo e a nossa  capacidade de superá-lo tudo.


EVANGELHO: João 1,6-8.19-28

6 Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João. 7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz. ............ 19 O testemunho de João foi assim. As autoridades dos judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntarem a João: «Quem é você?» 20 João confessou e não negou. Ele confessou: «Eu não sou o Messias.» 21 Eles perguntaram: «Então, quem é você? Elias?» João disse: «Não sou.» Eles perguntaram: «Você é o Profeta?» Ele respondeu: «Não.» Então perguntaram: 22 «Quem é você? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. Quem você diz que é?» 23 João declarou: «Eu sou uma voz gritando no deserto: 'Aplainem o caminho do Senhor', como disse o profeta Isaías.» 24 Os que tinham sido enviados eram da parte dos fariseus. 25 E eles continuaram perguntando: «Então, por que é que você batiza, se não é o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26 João respondeu: «Eu batizo com água, mas no meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem, 27 e que vem depois de mim. Eu não mereço nem sequer desamarrar a correia das sandálias dele.» 28 Isso aconteceu em Betânia, na outra margem do Jordão, onde João estava batizando.

No texto do evangelho lemos que uma comissão oficial de sacerdotes e levitas enviada pelas autoridades dos judeus, veio interrogar João Batista porque o seu testemunho porque a sua pregação tornara-se inquietante para o poder religioso judaico.

A primeira pergunta é, aparentemente, inócua («Quem é você?»). Esperam que o próprio João declare a sua posição e as suas intenções. João descarta totalmente a hipótese de ser o Messias. Também não aceita identificar-se com Elias. Da mesma forma, não aceita assumir o título de “o profeta”. Na verdade, João não aceita qualquer função que possa realçar a sua pessoa. Não busca a sua glória porque a sua missão é apenas ser testemunha da “luz” e é para essa “luz” (Cristo) que os holofotes devem ser voltados. Por isso, quando os seus interlocutores o convidam a definir-se, responde: «Eu sou uma voz gritando no deserto: 'Aplainem o caminho do Senhor'». A “voz” não tem rosto, é anônima; o importante é o conteúdo da mensagem. É isso que João é: apenas uma “voz” através da qual Deus passa aos homens uma mensagem. É para a mensagem e não para a “voz” que os homens devem prestar atenção. A mensagem («Aplainem o caminho do Senhor») é uma expressão tomada do profeta Isaias 40,3, na volta do cativeiro da Babilônia e revela a intervenção salvadora de Deus.

As respostas negativas de João desconcertam a comissão e lhe perguntam: «Então, por que é que você batiza?» O batismo, ou imersão na água, era um símbolo usado como rito de purificação ou de mudança de vida. João garante que o seu batismo é um primeiro passo para acolher “a luz”. Ele aponta para “Aquele” que vem e de quem João não se considera digno «nem sequer desamarrar a correia das sandálias dele.». Ele é “a luz” que vai libertar o ser humano da escuridão da mentira, do egoísmo e do pecado. O batismo do Messias, que virá depois (no Espírito), transformará totalmente os corações dos homens. Ele já está presente, a fim de iniciar a sua obra libertadora, mas os líderes religiosos, instalados nos seus privilégios, certezas e preconceitos “não conhecem”. Estão pouco abertos à novidade e aos desafios de Deus.

A atitude dos fariseus e dos líderes judaicos, cheios de preconceitos, preocupados em manter os seus esquemas de poder e instalados nos seus privilégios, impede-os de “conhecer a luz” que está chegando. Trata-se de um aviso, para nós: quando nos instalamos no nosso comodismo, no nosso bem-estar, na nossa auto-suficiência, fechamos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz. Dessa forma, não reconhecemos Jesus quando Ele vem ao nosso encontro e não o deixamos entrar na nossa vida. A liturgia deste Advento é um convite a abrir o nosso coração a fim de que o Senhor que vem possa nascer na nossa vida.

O caminho do cristão, em certo modo, é repetir a experiência de João Batista até descobrir, pela graça do Espírito Santo, a presença do Jesus agindo na vida do mundo e na própria vida, pois o Senhor vem para cada um de nós.

Como João Batista, todos nós que cremos fomos enviados por Deus para proclamar sua misericórdia e anunciar o seu Reino. Ser “enviados” significa ter recebido um encargo, uma missão própria, que é pessoal e insubstituível como a de João, isto é, preparar os caminhos do Senhor. Os caminhos de Deus são muito variados. Cabe a cada um de nós prepararmos a parte do caminho que nos corresponde, conforme as situações pelas quais se desenvolve a nossa vida.

Assim como João Batista, somos “testemunhas da luz”. Mas como ser testemunhas da luz? Para ser testemunha válida é preciso haver constatado a realidade que se pretende testemunhar. Por isso mesmo, ser testemunha da luz (como João Batista) exige ter se deixado penetrar por ela e se deixado iluminar pela própria luz que é Cristo Jesus.

De fato, embora não sejamos luz, podemos projetar a luz de Cristo que recebemos no Batismo; ela aumenta na medida em que vivemos como cristãos. Em meio a um mundo escuro onde os limites entre o bem e o mal estão como que diluídos (quando não totalmente apagados) esta é uma boa tarefa para o cristão do século XXI: ser testemunha da luz. Isto se faz por uma vida iluminada e iluminadora através da prática da justiça, da misericórdia e pela transmissão evangelizadora da Palavra de Deus.

Podemos, portanto, esperar e acreditar que este mundo está chamado a ser diferente, mudando para melhor a vida da sociedade em que vivemos. É um programa tão incomum e tão grande que só pode acabar contagiando-nos de entusiasmo. Daí por que, no meio do Advento, a liturgia nos convida a estar alegres e confiar que a vinda do Senhor faça brotar na terra a santidade e a justiça para “dar a boa notícia aos pobres,... curar os corações feridos,... proclamar a libertação dos escravos e pôr em liberdade os prisioneiros, para promulgar o ano da graça de Javé”, conforme diz o profeta Isaias na primeira leitura de hoje.

Tudo indica que viver na alegria, mais do que um conselho, é um preceito do Senhor (“estejam sempre alegres”). Parece mentira que esta palavra essencial (a alegria) muitas vezes tenha estado tão ausente da nossa vida!

+ Para preparar os caminhos do Senhor é necessário tornar presentes os valores do Reino como a justiça, o amor e a paz. Felizmente, muitos outros se preocupam com isso sem serem cristãos. Se realmente entendemos as palavras de Paulo (”examinem tudo e fiquem com o que é bom”), não deveríamos estar mais abertos a colaborar com todos aqueles que buscam uma vida melhor para o ser humano?

+ A justiça social não é um ideal para os outros realizarem. Cabe a nós levar à prática o que desejamos. Como poderíamos conseguir um mundo mais justo e mais humano, sem um compromisso pessoal e sem contar com a graça Deus?

+ Neste Tempo de Advento poderemos perceber que a liturgia dominical faz referência a três personagens bíblicos que são exemplo de como esperar o Senhor: Isaías, o profeta que anunciou a chegada de Jesus, como o “Servo de Javé” de modo tão explícito que até parece outro evangelista. João Batista, único profeta do Novo Testamento, cuja vida e pregação foi toda ela dedicada a animar seus ouvintes a uma atitude de conversão como a melhor forma de “preparar o caminho de Senhor”. Maria, a Mãe do Senhor, que, desde o momento em que acolheu o anúncio do anjo no sentido de que iria ser mãe de Jesus, esperou, numa profunda comunhão com Deus, que em seu ventre fosse gerando-se este Filho, esperança da humanidade.

Imitando o exemplo deles, podemos preparar o nosso Natal, interiorizando nossa fé em Jesus e na sua mensagem de Salvação, melhorando nossa vida cristã, assumindo uma atitude de sincera conversão e indentificando-nos com Cristo para dar testemunho d’Ele num mundo cada vez mais carente e necessitado de Deus.

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centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
1º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO REGIONAL -
05, 06 e 07 DE JANEIRO DE 2018 EM recife (pe)

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