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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 21 DE OUTUBRO DE 2018

A celebração deste Domingo evoca a figura do servo sofredor do profeta Isaias (1ª leitura) lembrando-nos que uma vida vivida na entrega e no dom de si mesmo aos outros não é uma vida perdida ou fracassada; é uma vida fecunda e plenamente realizada porque traz libertação e esperança ao mundo dos homens. Esta foi a atitude de Jesus em contraste com o desejo de poder e prestigio dos seus discípulos, desejosos de ocupar os primeiros lugares no seu Reino (evangelho). O Senhor se vê obrigado a corrigir a ambição deles, especialmente de Tiago e de João que ambicionavam ocupar os primeiros lugares ao seu lado. A proposta que Jesus faz aos discípulos vai na direção contrária; isto é, adotar um ideal de vida no qual, abandonando os projetos pessoais de poder, haja uma dedicação plena ao serviço dos irmãos seguindo o seu exemplo (2ª leitura). Ele, sendo de condição divina, assumiu a condição humana e “não veio para ser servido... mas para servir”, oferecendo-nos o seu amor.

1ª LEITURA:  Isaías 53, 10-11

10 No entanto, Javé queria esmagá-lo com o sofrimento: se ele entrega a sua vida em reparação pelos pecados, então conhecerá os seus descendentes, prolongará a sua existência e, por meio dele, o projeto de Javé triunfará. 11 Pelas amarguras suportadas, ele verá a luz e ficará saciado. Pelo seu conhecimento, o meu servo justo devolverá a muitos a verdadeira justiça, pois carregou o crime deles.

O profeta Isaías fala da fidelidade do “Servo de Deus” à missão que devia realizar, a pesar do sacrifício que ela representava. Assumindo o papel de “servo” e carregando sobre si o pecado do mundo, conseguirá libertar o mundo de todo mal.

É evidente que esta profecia se refere a Jesus. De fato, foi assim que Jesus agiu, entregando “a sua vida em reparação pelos pecados”. Cabe a nós, que acreditamos n’Ele, tornar-nos, de fato, seus discípulos para sermos “seus descendentes”. A nossa razão de ser, como Igreja, é sermos servidores e apresentar-nos como tais perante o mundo, compadecendo-nos de suas fraquezas e oferecendo caminhos de libertação e humanização para ir transformando este mundo num mundo melhor.


2ª LEITURA: Hebreus 4, 14-16

14 Nós temos um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus. Por isso, mantenhamos firme a fé que professamos. 15 De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado como nós, em todas as coisas, menos no pecado. 16 Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com plena confiança, a fim de alcançarmos misericórdia, encontrarmos graça e sermos ajudados no momento oportuno.

O autor da carta aos Hebreus apresenta Jesus caminhando à nossa frente, abrindo o caminho e marcando a direção para avançar no rumo certo à verdadeira Vida. Neste sentido, é necessário dirigir o nosso olhar para o Senhor da Vida e Pastor das nossas almas. Ele conduz a Igreja pelo mundo e podemos convidar os homens e mulheres de boa vontade a olhar também para Aquele irá abrir-lhes o caminho da Vida e da esperança. Entender a vida como uma caminhada para aquilo que dá sentido à vida é a melhor forma de superar um mundo cada vez mais fechado em si mesmo.

Por tudo isso, devemos aproximar-nos do Senhor com plena confiança, certos da sua acolhida misericordiosa. Ele assumiu a nossa natureza humana decaída e participou dela sendo provado e submetido à tentação durante toda a sua vida. Temos “um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus” muito próximo, que suportou o sofrimento e a morte, como nós. Ele seria “incapaz de se compadecer de nossas fraquezas” se, à exceção do pecado, não tivesse sofrido em sua carne as nossas debilidades e fraquezas. Justamente pela sua condição humana é que Cristo, o Senhor, pode compreender os sentimentos e as dificuldades dos que vivemos submetidos a todo tipo de provação. Ele é solidário conosco, especialmente na hora da prova e da tentação.


EVANGELHO: Marcos 10, 35-45

35 Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: «Mestre, queremos que faças por nós o que vamos te pedir.» 36 Jesus perguntou: «O que vocês querem que eu lhes conceda?» 37 Eles responderam: «Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda.» 38 Jesus então lhes disse: «Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? Podem ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?» 39 Eles responderam: «Podemos.» Jesus então lhes disse: «Vocês vão beber o cálice que eu vou beber, e vão ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado. 40 Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É Deus quem dará esses lugares àqueles, para os quais ele preparou.» 41 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João. 42 Jesus chamou-os e disse: «Vocês sabem: aqueles que se dizem governadores das nações têm poder sobre elas, e os seus dirigentes têm autoridade sobre elas. 43 Mas, entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, 44 e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. 45 Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.»

O ensinamento de Jesus, neste evangelho, é provocado por um pedido insólito de dois discípulos da maior confiança d’Ele. Os “filhos de Zebedeu” tinham deixado seu pai para segui-lo, mas ambicionavam participar do poder d’Aquele que, pensavam, seria um Messias político e poderoso («Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda.»). Estavam pouco interessados na vida eterna; a “glória” a que eles se referiam era logo, neste mundo; e queriam sua parcela de poder nela.

Que decepção a de Jesus..! Depois de tanto tempo, estes dois discípulos, da sua confiança, não tinham entendido absolutamente nada (“Vocês não sabem o que estão pedindo”). Não sabiam o que estavam falando, mesmo. Sabiam, sim, que os que “se dizem governadores das nações têm poder...e... autoridade sobre elas” mas não sabiam que entre os discípulos do Senhor “quem... quiser ser grande, deve tornar-se o servidor... e... o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos”. Era essa a grande diferença..!

Se quisessem sentar-se “um à... direita e outro à... esquerda” teriam que “beber o cálice” de uma vida oferecida em sacrifício e total doação, como Ele, que “não veio para ser servido... (mas) para servir e para dar a... vida como resgate em favor de muitos”. Dar a vida como “resgate” por um escravo era pagar o preço dele entregando-se e ficando no seu lugar. Quando alguém, porém, quer ser o maior... o que ele quer é que os outros deem a vida por ele e, inevitavelmente, esta atitude causa discórdia e divisão como aconteceu com os resto dos discípulos (“quando os outros dez discípulos ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João”). Esta reação dos outros indica que, no fundo, todos eles tinham as mesmas pretensões e, por isso, se sentiam ameaçados com o atrevimento de Tiago e João. Todos estavam contaminados pelo “vírus do poder”.

Jesus, com paciência infinita, aproveita a circunstância para reiterar o seu ensinamento. A lógica do poder que existe na sociedade não serve de modelo para a comunidade que Ele deseja; esta se assenta sobre a lei do amor e do serviço. Mesmo aqueles que são designados para presidir à comunidade devem exercer a sua autoridade num verdadeiro espírito de serviço, sentindo-se servos de todos e excluindo do seu universo qualquer ambição de poder e de domínio a imitação d’Ele que “não veio para ser servido (mas) para servir e para dar a sua vida... em favor de muitos”.

Quando todos querem o poder, os outros sobram e se instala a rivalidade. Nessa competição toda, não há como construir uma verdadeira comunidade. Por isso, diz Jesus, “entre vocês não deverá ser assim”. A luta pelo poder só causa destruição. pelo contrário, a atitude de serviço e doação (“ quem de vocês quiser ser grande... ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos”) é sempre uma opção positiva que só gera concórdia e união.

Neste sentido, não tem meio-termo: quem não for capaz de renunciar aos esquemas de egoísmo, de ambição, de domínio, para fazer da própria vida um serviço e um dom de amor, não pode ser discípulo deste Jesus que veio “para servir e para dar a sua vida”. Pelo contrário, quando conseguimos controlar e superar essa tendência egoísta de querer ser os primeiros e começamos a colaborar e participação na procura do bem comum, surge ai o germe, não só da Comunidade/Igreja, mas também, de uma nova sociedade tendo como base o ideal do Reino de Deus.

Neste sentido, a percepção do papa Francisco a respeito da necessidade de uma revisão profunda da Igreja no seu modo de agir a serviço da humanidade está plenamente de acordo com o espírito do Evangelho. Como realidade humana que ela é, deve utilizar meios humanos, mas com outra finalidade, com outro estilo e com outras motivações diferentes da sociedade civil porque é muito mais que uma instituição; ela é a presença visível do próprio Cristo.

Tudo isto se concretiza na vocação de todos os cristãos, que estão chamados a manifestar este novo modo de entender o poder no mundo em que vivemos. “Servir” não é algo casual, provisório ou temporário. Para nós, cristãos, é todo um estilo de vida.

Hoje torna-se difícil entender e viver esta mensagem de nosso Senhor. Estamos mergulhados na “cultura dos primeiros”: a mulher mais bonita, o homem mais rico, o primeiro da turma, o jogador mais cotado... todos queremos ser os primeiros. E “primeiro”... só tem lugar para um. Se fosse para ajudar, sempre haveria lugar para todos (quanto mais, melhor), mas, para mandar... um só.

E daí vem o problema. Aquele que está lá encima sabe que tem muita gente querendo o lugar dele. Não basta ser capaz... é preciso ser “competente” (no sentido etimológico da palavra), isto é, capaz de competir (muito esperto e sem escrúpulos) para impedir que alguém tome o seu lugar. Acaba gastando-se mais energia em sufocar a competição dos outros do que em fazer bem feito o que tem que ser feito. O jeito é derivar para o autoritarismo e a repressão a fim de ter tudo sob controle. Este é o medo que dá origem a tantos ditadores (aliás, os ditadores são ditadores porque tem medo, já perceberam isso?).

A proposta de Jesus é que a autoridade deve ser dada àqueles que estão a fim de servir e, portanto, não tem medo de perder o lugar.... A relação entre as pessoas, para ser construtiva, tem que ser de colaboração e não de competição (“quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês”).

E isto deve ser aplicado, também, à missão da Igreja no mundo. Não se trata de “deslumbrar”, mas apenas de “iluminar”; nem tanto de “ensinar” quanto de “acompanhar”; mais do que “doutrinar” é preciso “partilhar”. Não será que nós, padres e leigos comprometidos, esquecemo-nos de servir como Jesus serviu (“o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir”) e gostamos de mandar dentro da Igreja? Porque, humanos que somos, podemos estar disputando cargos ou querendo “sentar um à tua direita e outro à tua esquerda” do padre, na coordenação das diversas pastorais (!).

O mesmo ensinamento pode ser aplicado à nossa vida familiar, profissional e social para ver se estamos incorporando, ao nosso modo de pensar e agir, este mesmo espírito de serviço que é o distintivo do discípulo de Jesus ou se, pelo contrário, estamos caindo nos jogos de poder, nas tentativas de domínio sobre os outros, nos sonhos de grandeza, nas manobras para conquistar prestigio, na ânsia de protagonismo…

Se for assim, vamos ter que voltar ao caminho do Evangelho porque o cristão tem que dar testemunho desse novo modo de vida, colocado por Jesus, no seu espaço familiar mediante uma atitude de serviço e não de imposição e de exigência. O cristão tem de dar testemunho de colaboração e participação no seu espaço laboral, evitando qualquer atitude de injustiça ou de prepotência sobre aqueles que dirige e coordena; o cristão tem sempre de encarar a autoridade que lhe é confiada como um serviço a ser realizado na busca atenta e coerente do bem comum.

Finalmente, a atitude de serviço que Jesus pede aos seus discípulos deve manifestar-se, de forma especial, no acolhimento dos pobres, dos fracos, dos humildes, dos marginalizados, dos que têm seus direitos negados, daqueles que não nos trazem o reconhecimento público, daqueles que não podem nos retribuir… Seremos capazes de acolher e de amar os marginalizados, os estrangeiros, os doentes incuráveis, os idosos, os que ninguém quer e ninguém ama?

Com o tema “Enviados para testemunhar o Evangelho da paz” e o lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8), o objetivo do mês missionário é sensibilizar, despertar vocações missionárias e retomar a temática da superação da violência. 

A violência é uma realidade gritante e forte que perpassa todas as realidades da sociedade brasileira e por isso exige a retomada em termos de reflexão sobre os fatos de violência, as raízes da violência e os passos para a superação da violência.

Além de enxergar a realidade, a campanha missionária quer nos iluminar com a Palavra de Deus a fim de que estejamos conscientes da atitude de Jesus que pregou a Paz e entregou sua vida pela Paz. Neste sentido, somos convidados a construir uma Igreja missionária, próxima das pessoas e viver juntos o grande projeto de Deus de construir a civilização do amor.

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centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
3º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO NACIONAL -
09, 10 E 11 DE novembro DE 2018 EM sÃo paulo (sp)

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