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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 23 DE DEZEMBRO DE 2018

Neste domingo encerramos o Advento e entramos na véspera do Natal. Maria é apresentada na sua gravidez como exemplo da esperança que não decepciona e torna-se fonte da Vida divina que vem visitar o seu povo. A experiência interior de Maria é um modelo de como podemos ir ao encontro de Jesus e deixa-lo nascer em nós. Aprender dela é a melhor condição espiritual para se celebrar com proveito o Natal do Senhor.

As leituras bíblicas evocam a esperança do povo da Israel. O profeta Miquéias apresenta Deus agindo a partir do que é pequeno aos olhos deste mundo (como a cidade de Belém) para trazer à terra com o nascimento do Messias (1ª  leitura). O autor da carta aos Hebreus apresenta-nos a missão deste Messias (Jesus) que, cumprindo a vontade do Pai, vem para salvar a humanidade pela oblação de si mesmo (2ª leitura). Isabel descobre e anuncia a todos nós o mistério realizado em Maria (evangelho) que torna realidade a esperança dos que ansiavam pela presença de Deus no caminhar da humanidade.

1ª LEITURA: Miquéias 5, 1-4a

1 Mas você, Belém de Éfrata, tão pequena entre as principais cidades de Judá! É de você que sairá para mim aquele que há de ser o chefe de Israel! A origem dele é antiga, desde tempos remotos. 2 Pois Deus os entrega só até que a mãe dê à luz, e o resto dos irmãos volte aos israelitas. 3 De pé, ele governará com a própria força de Javé, com a majestade do nome de Javé, seu Deus. E habitarão tranqüilos, pois ele estenderá o seu poder até as extremidades da terra. 4 Ele próprio será a paz.

O profeta mostra que o Messias retomará as origens humildes do seu antepassado Davi que, de pastor, se tornou rei de Israel. Ele não nasce na grande cidade, Jerusalém, onde habitava o poder, mas na pequena aldeia de Belém, a cidade de Davi. Ele agirá “com a própria força de Javé,... seu Deus”, pois o amor de Deus prefere os humildes e escolhe os fracos para confundir os poderosos e os fortes. O Messias esperado não só trará a paz para o povo, mas “Ele próprio será a paz”.

A novidade principal deste texto do profeta Miquéias é a referência que faz à mãe do Messias (“até que a mãe dê à luz”) como sendo a linha divisória entre e o antes e o depois da restauração de Israel. Falando da mãe que está para dar à luz, o texto alude à promessa feita por Isaías 7,14, alguns anos antes (“Pois saibam que Javé lhes dará um sinal: A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel”).

A tradição cristã reconheceu aqui o anúncio do nascimento de Jesus. Por isso o texto é usado nesta liturgia do Domingo que antecede o Natal.


2ª LEITURA: Hebreus 10, 5-10

5 Por esse motivo, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Tu não quiseste sacrifício e oferta. Em vez disso, tu me deste um corpo. 6 Holocaustos e sacrifícios não são do teu agrado. 7 Por isso eu disse: Eis-me aqui, ó Deus - no rolo do livro está escrito a meu respeito - para fazer a tua vontade.» 8 Primeiro diz: «Não queres e não te agradam sacrifícios e ofertas, holocaustos e sacrifícios pelo pecado.» Trata-se de coisas que são oferecidas segundo a Lei. 9 Depois acrescenta: «Eis-me aqui para fazer a tua vontade». Desse modo, Cristo suprime o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10 É por causa dessa vontade que nós fomos santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas.

Na carta aos Hebreus, compara-se o sacerdócio e o sacrifício de Cristo com o sacerdócio e os “sacrifícios” do Antigo Testamento. O sacrifício de Cristo tem lugar “uma vez por todas” e se fundamenta na comunhão com o Pai à qual todos somos chamados («Tu não quiseste sacrifício e oferta... Por isso eu disse: Eis-me aqui, ó Deus... para fazer a tua vontade.»). Daí por diante, a religião feita de cerimônias e ritos passa a segundo plano para privilegiar-se uma religião “em Espírito e Verdade”.

Para o autor da Carta aos Hebreus, a salvação divina acontece porque o Filho de Deus, no momento da Encarnação, assume um corpo humano para fazer a vontade do Pai. E a vontade do Pai é que sejamos salvos. A existência humana de Jesus está dirigida, desde o primeiro instante, para a entrega de sua vida na Cruz através da qual Deus realiza sua vontade de salvação universal.

A vontade de Deus, porém, não foi a morte do Filho, mas que Ele participasse da condição humana com amor suficiente para que tudo o que é humano ficasse transformado. O sangue do Filho, mais do que uma oferenda para aplacar a justiça divina, é o dom de um Deus cheio de amor em favor de toda a humanidade. Por isso, a nossa santificação consiste em viver “em Espírito e Verdade” esta amizade com Deus.

O texto certamente foi escolhido para a liturgia do Advento pela frase que resume o sentido da vinda de Jesus («Eis-me aqui para fazer a tua vontade») e que indica a perfeita identificação com a vontade do Pai que orientou toda a vida e obra de Jesus.


EVANGELHO: Lucas 1, 39-45

39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito exclamou: «Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? 44 Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.»

Chegará um dia em que Jesus dirá que Ele é o Caminho, mas, por enquanto, não pode caminhar por si mesmo. Nesta sua primeira viagem é carregado no ventre de sua jovem mãe que, desta forma se torna portadora da Boa Nova.

No texto do evangelho de hoje, Lucas nos apresenta a primeira ação de Maria depois de dar seu sim radical a Deus na Anunciação. A que foi saudada pelo anjo como “cheia de graça”, mostra que, também, está cheia de amor ao próximo porque “partiu para a região montanhosa,... às pressas,... Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel”. O evangelista não fala, mas está claro que foi servir sua prima Isabel nos três últimos meses de uma gravidez difícil por causa da idade. Por isso conclui dizendo que “Maria ficou três meses com Isabel” (Lucas, 1,56).

Esta foi a oportunidade de João Batista, ainda no seio materno e através de sua mãe, receber o dom do Espírito Santo (“Isabel ficou cheia do Espírito Santo”) para a missão que iria realizar e sentir a presença d'Aquele em função do qual iria viver sua vida de profeta (“Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou de alegria no seu ventre”). Na realidade o evangelista Lucas parece estar mais interessado em narrar o encontro de Jesus com João Batista (os dois ainda no ventre materno) do que o encontro de Maria com Isabel. Se bem que este encontro daquelas duas santas mulheres foi a oportunidade do Espírito Santo falar por boca de Isabel algo muito importante para nós, isto é, que Maria é “bendita entre as mulheres”, por causa do “fruto do seu ventre” e porque foi “aquela que acreditou,... o que o Senhor lhe prometeu”. Maria é bendita pelo Filho em gestação. Por isso Isabel abençoa Maria e declara bendito o fruto de seu ventre, uma benção para toda a humanidade. Toda a obra realizada por Cristo é uma benção para nós. Além disso, Isabel declara que Maria é “bem-aventurada” pela sua adesão ao plano de Deus e à sua santa vontade, tal como foi expressa na mensagem do anjo.

No momento da Anunciação, Maria começou um longo caminho de fé que irá percorrer com total fidelidade. Lucas já conhecia este caminho de Maria quando escreveu seu Evangelho e o deixa plasmado nele, mostrando que Maria era uma mulher de fé que sempre se apoiou em Deus e entrou em diálogo com Ele a medida em que ia se lhe revelando como Salvador. Por esta fé, Maria é declarada “bem-aventurada”.

Encontramos nesta passagem do evangelho de hoje um dos fundamentos da devoção da Igreja Católica para com Maria; tanto é assim que a tradição quis plasmar tudo isto na oração mais popular do catolicismo, junto com o Pai Nosso, que é a oração da Ave Maria na qual, após as palavras do anjo (“Ave Maria, cheia de graça. O Senhor é convosco” - Lucas 1,28) acrescentam-se as palavras de Isabel (“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre...”) para finalizar com a prece da Igreja (“Santa Maria...”). Desta forma, as palavras do anjo e de Isabel a Maria (que são Palavra de Deus) tornaram-se a prece daqueles que amam Jesus e, por isso, amam sua Mãe.

A liturgia deste Domingo prepara-nos para o Natal através do exemplo de duas mães: Maria e Isabel. Ambas foram santificadas pelo Espírito Santo e ambas carregam o destino de humanidade porque vão gerar vidas envolvidas pelo Espírito de Deus: João Batista e Jesus.

Contemplando as duas mães, compreendemos que a espiritualidade do Natal se apresenta como um encontro com Jesus que vem nos visitar, tal como aparece na visita de Maria a Isabel. Compreendemos ainda que o Natal é acolhimento festejado na alegria, como Isabel manifestou ao ver sua prima Maria entrando em sua casa.  Do ponto de vista da espiritualidade, o Natal tem a capacidade de fazer crescer em nós esta alegria interior. Além do mais, Maria é a mestra espiritual que nos ensina a colaborar com a graça de Deus e esperar que Ele se manifeste ao mundo através de nossa vida de discípulos e testemunhas de Cristo. Para tanto, é preciso:

Escutar e acreditar.

Escutar não é a mesma coisa que “ouvir”. Ouvimos muitas coisas, mas só escutamos o que nos interessa. Escutar é prestar atenção; algo bem diferente de ouvir porque pressupõe um contexto de diálogo e atenção mútua.

Maria escuta a mensagem de Deus, através do anjo, e responde: «Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra .» (Lucas 1, 38). O papa Paulo VI comentava: “Maria é a Virgem da Escuta que acolhe a Palavra com fé; e esta foi para ela premissa e via da maternidade divina” (MC 17).

Saber escutar a Palavra de Deus” é condição necessária para vivermos a espiritualidade do Natal. Somos convidados a assumir a mesma atitude de Maria: colocar-nos à escuta nas celebrações litúrgicas, nas quais a mesma Palavra divina que foi dirigida a Maria é dirigida a nós e a toda a assembléia cristã.

Da “escuta” nasce a fé que é o componente essencial para compreender e viver o Natal de Jesus. O Evangelho de hoje conclui com a expressão: “Bem-aventurada aquela que acreditou...”. A fé significa aceitação de Jesus e confiança em que “... vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu”. Num Deus assim podemos confiar!

Crer e esperar.

Maria acreditou que Deus age na história por meios humildes; acreditou que Deus cumpriria as promessas feitas a seu povo. Maria é aquela que crê de verdade, que escuta a Palavra e confia, aceita o papel que Deus lhe encomenda e coloca sua vida à disposição do Projeto de Salvação.

Acompanhar e servir.

Ela, que experimentou o olhar de Deus “na humilde serva”, sente a vontade de pensar no bem dos outros. Quando saímos de nós mesmos para acompanhar e servir, como Maria fez com Isabel, estamos expressando a fé que nos leva a tratar os outros como irmãos.

Saudar e bendizer.

Há muitas formas de aproximar-nos das pessoas. A saudação de Maria trouxe paz, alegria e benção para Isabel (“Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre”). Depois será Isabel que abençoa Maria por aquilo que Deus fez nela (“bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre”).

Deus nos abençoa e nós o louvamos e damos graças; mas também abençoamos os outros reproduzindo e prolongando os gestos e o querer de Deus. Abençoar é uma arte. É “bem-dizer”, que significa “falar o bem” que desejamos, olhando positivamente às pessoas, reconhecendo a sua dignidade.

+ Contemplando o modo como se tratam as primas Maria e Isabel, podemos tentar resgatar o belo costume de abençoar que ainda perdura em nosso povo.

Meditemos nas palavras de P. Pradervand:

“Abençoar significa querer e desejar incondicionalmente, totalmente e sem reservas o bem ilimitado para os demais e para os acontecimentos da vida, fazendo-o aflorar das fontes mais íntimas e profundas de nosso ser. Isto significa venerar e considerar com total admiração o dom do Criador sejam quais forem as aparências. Quem se vê atingido pela nossa benção é um ser privilegiado, consagrado, inteiro. Bendizer significa invocar a proteção divina sobre alguém ou sobre algo, pensar nele com profundo reconhecimento, evocá-lo com gratidão. Significa chamar a felicidade para que venha sobre ele, dado que nós nunca somos a fonte da benção mas apenas as testemunhas alegres da abundância da vida”.

+ Contemplando a visita de Maria a Isabel, compreendemos também que a espiritualidade do Natal de Jesus é um encontro interpessoal. É uma espiritualidade que promove relações humanas e humanizadoras. A espiritualidade e a mística do Natal tem a característica de favorecer encontros entre nós, dentro de nossas famílias, com nossos amigos e em nossa comunidade.

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