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DIA 26 DE FEVEREIRO DE 2012 |
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1º DOMINGO DE QUARESMA |
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Nos início da Igreja, a Quaresma era o tempo em que os catecúmenos se preparavam para receber o sacramento do Batismo
e o tempo de recuperação espiritual e conversão pessoal para toda a comunidade cristã que, na Vigília Pascal,
iria renovar seu compromisso batismal.
Sendo que o sacrifício de Cristo na cruz foi para reconduzir-nos a Deus,
todos quantos experimentamos um certo afastamento d'Ele temos a oportunidade nestes 40 dias privilegiados
(dai o nome “Quaresma”) de perceber a situação em que estamos, tomar consciência do bem e do mal que praticamos
e redirecionar o rumo de nossas vidas, tendo sempre como referência a nossa vocação cristã.
A Liturgia da Palavra, neste Domingo (26/02/12), apresenta-nos a Aliança que Deus fez com Noé e, por extensão,
com toda a humanidade uma vez que foi regenerada pelo dilúvio (1ª leitura) o qual era uma prefiguração do Batismo.
Esta Aliança tem o seu cumprimento pleno na obra da Salvação realizada por Jesus e nas águas do Batismo que
nos tornaram filhos de Deus (2ª leitura). Ela se renova em nós sempre que, apoiados na Palavra de Deus,
vencemos as solicitações do mal, como Jesus fez (evangelho), e permanecemos fieis. |
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A PALAVRA DE DEUS NA BÍBLIA |
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1ª LEITURA: Gênesis 9,8-15 |
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8 Deus disse a Noé e a seus filhos: 9 «Eu estabeleço a minha aliança com vocês e com seus descendentes, 10 e com todos os animais que os acompanham: aves, animais domésticos e feras, com todos os que saíram da arca e agora vivem sobre a terra. 11 Estabeleço minha aliança com vocês: de tudo o que existe, nada mais será destruído pelas águas do dilúvio, e nunca mais haverá dilúvio para devastar a terra».12 Deus disse: «Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vocês e todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: 13 Colocarei o meu arco nas nuvens, e ele se tornará um sinal da minha aliança com a terra. 14 Quando eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco-íris aparecer nas nuvens, 15 eu me lembrarei da minha aliança com vocês e com todos os seres vivos. E o dilúvio não voltará a destruir os seres vivos.
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Quando o autor sagrado resolveu incorporar no livro do Gênesis o mito, proveniente da Mesopotâmia, que falava de um dilúvio universal, a intenção dele era mostrar que o mal está presente na história da humanidade, cresce e se multiplica com tanta facilidade, que dá a impressão de que vai acabar inundando tudo... Ao mesmo tempo, queria mostrar a vontade salvadora de Deus que opta sempre pela misericórdia e o perdão, que não quer a morte de ninguém, nem mesmo do pecador, mas a vida.
Sobre as nuvens carregadas de nosso mal, estendeu um lindo arco-íris de benevolência e de perdão. Assim, aproveitando um fenômeno puramente natural, o autor sagrado quer deixar constância da reconciliação oferecida por Deus à humanidade para que sempre seja sempre lembrada.
Neste pequeno trecho do livro do Gênesis, encontramos cinco vezes a palavra “aliança” como um pacto unilateral de Deus com a humanidade, extensivo a toda a criação. Para que ela exista, o homem só tem que aceita-la.
Dificilmente poderia expressar-se melhor a vontade salvadora de Deus em meio ao caos, a violência e o pecado da humanidade, oferecendo as condições necessárias para preservar a criação e a história humana. |
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2ª LEITURA: 1Pedro 3,18-22 |
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18 De fato, o próprio Cristo morreu uma vez por todas pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus. Ele sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito. 19 Foi então que ele proclamou a vitória, inclusive para os espíritos aprisionados; 20 falo das pessoas que foram rebeldes outrora, nos tempos de Noé, quando Deus demorava para castigar o mundo. Enquanto isso, Noé construía a arca, na qual somente oito pessoas foram salvas por meio da água. 21 Aquela água representava o batismo que agora salva vocês; não se trata de limpeza da sujeira corporal, mas do compromisso solene de uma boa consciência diante de Deus, mediante a ressurreição de Jesus Cristo. 22 Ele subiu ao céu e está sentado à direita de Deus, após ter submetido os anjos, as dominações e os poderes.
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Pedro mostra que a morte e a ressurreição de Jesus serviram para proclamar o triunfo da presença de Deus sobre toda a criação, incluindo as forças do mal.
Assim como o ato de entrar na arca de Noé foi sinal de salvação e compromisso com a aliança entre Deus e humanidade, entrar na Nova Arca (a Igreja), através do Batismo e do discipulado, será sacramento de salvação e “compromisso solene de uma boa consciência diante de Deus, mediante a ressurreição de Jesus Cristo”.
A comparação entre a água do dilúvio e a água do batismo faz parte da catequese batismal de Pedro, comparando duas situações: a do tempo de Noé e a do tempo dos cristãos. No tempo de Noé, foi salvo um pequeno grupo de justos, enquanto a maioria pereceu; no tempo dos cristãos, porém, existe também um grupo ainda pequeno de pessoas «salvas por meio da água» do Batismo, mas a maioria da humanidade que ainda não se converteu, está chamada à salvação. Esta é a diferença. O testemunho dos batizados deve fazer com que os não-convertidos se confrontem com o Evangelho e vivam como filhos de Deus.
A eficácia salvadora do Batismo, no entanto, se realiza em Jesus Cristo. |
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EVANGELHO: Marcos 1,12-15 |
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12 Em seguida o Espírito impeliu Jesus para o deserto. 13 E Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí era tentado por Satanás. Jesus vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.14 Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galiléia, pregando a Boa Notícia de Deus: 15 «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia.»
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O relato das tentações de Jesus expressa a convicção de que Ele, como qualquer pessoa, era um ser histórico que ia se fazendo a si mesmo na medida em que escolhia o caminho a seguir. Esta experiência o situa tão próximo de nós que o autor de Hebreus 2,18 escreve: ”De fato, justamente porque foi colocado à prova e porque sofreu pessoalmente, ele é capaz de vir em auxílio daqueles que estão sendo provados”.
A tentação no deserto resume os conflitos que Jesus vai experimentar em toda a sua vida. Esses conflitos acontecerão sempre “no deserto”, na solidão de sua intimidade (mais do que um lugar, o “deserto” é, na linguagem bíblica, um estado de ânimo onde a pessoa se encontra consigo mesma). É nesse espaço interior que deverá enfrentar o representante das forças do mal que escraviza a humanidade. Mas, se ”o Espírito impeliu Jesus para o deserto”, ele o sustentará nessa luta (indicada pela expressão: “vivia entre os animais selvagens”), dando-lhe a vitória sobre Satanás. Nesse sentido é que a expressão ”e os anjos o serviam”, se entende como o triunfo sobre a tentação.
A brevidade do relato de Marcos obriga a Liturgia de hoje a acrescentar a forma como Jesus se apresenta no início do ministério público, “depois que João Batista foi preso”, como a continuação do ministério profético e conflitivo do precursor João Batista e isto a partir dos que não tem poder de decisão, pois “Jesus voltou para a Galiléia”, o lugar do povo, longe do poderio de Jerusalém.
As primeiras palavras de Jesus, transmitidas por Marcos neste evangelho, são a essência de sua pregação:
+ “O tempo já se cumpriu” (Não há mais tempo para esperar. É hora de agir).
+ “O Reino de Deus” (A transformação da situação injusta da humanidade).
+ ”Está próximo” (O Reino sempre está crescendo).
+ “Convertam-se” (Exigência de mudança radical na orientação da vida).
+ “Acreditem na Boa Notícia” (Aceitar Jesus e comprometer-se com Ele). |
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A PALAVRA DE DEUS NA VIDA |
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Marcos deixa constância no evangelho do enfrentamento de Jesus com Satanás como personificação de uma mentalidade que pretende, constantemente, trocar o projeto divino por projetos humanos.
É aquela pessoa ou instituição que não aceita pensar com a mentalidade divina e nem caminhar nos seus caminhos. Pode ser qualquer um, como foi Pedro quando se opôs à morte de Jesus e Ele o chamou de Satanás porque seus pensamentos eram humanos em oposição aos pensamentos de Deus (ver Marcos 8,33).
Marcos, a diferença de Mateus e Lucas, não descreve os detalhes dessa luta lá no “deserto”, mas, com duas imagens bem sugestivas, deixa entrever a dureza do embate (”vivia entre os animais selvagens”) e a vitória final de Jesus (“os anjos o serviam”).
Esse é o combate que espera por nós também. Teremos que desmascarar as muitas formas de tentação e sedução do mal às quais estamos submetidos todos os dias. No meio de uma sociedade permissiva, será necessário recuperar a consciência e a ética mais elementar. Diante de uma forma de encarar a vida com o único objetivo de triunfar, consumir, desfrutar, dominar... teremos que procurar os valores que Deus propõe através de sua Palavra.
O mesmo Espírito que “impeliu Jesus para o deserto”, nos conduz hoje para esse mesmo espaço, que é o nosso “deserto interior”. Estando a sós conosco mesmos na presença de Deus é a forma como poderemos descobrir as forças que nos desorientam e aquilo que realmente é essencial em nossa vida. Assim, enfrentando o duro combate contra as forças do mal, poderemos sair dele revitalizados e vitoriosos. |
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PENSANDO BEM... |
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+ «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia». O que podem significar estas palavras para o homem e a mulher dos nossos dias?
Certamente ninguém se sente atraído por um chamado à conversão. Logo pensamos em algo difícil, custoso e pouco agradável; uma ruptura que nos levará a uma situação de renúncia e sacrifício. Será isto assim?
A palavra grega que se traduz por “converter-se” significa, na verdade,
“parar para pensar”, “rever nossas atitudes”, “corrigir o rumo de nossa vida”.
As palavras de Jesus poderiam se traduzir assim: “Parem para pensar sobre tudo aquilo que é preciso rever e corrigir na sua forma de pensar e de agir
para que se cumpra em vocês o projeto de Deus e a vida se torne mais humana”.
“Converter-se”, neste sentido é “libertar a vida” eliminando todos aqueles medos, egoísmos, tensões e escravidões que nos impedem de crescer de forma sadia e harmoniosa. O convite do Senhor: «Convertam-se e acreditem na Boa Notícia», nos leva a perceber que a conversão é um passo para uma vida mais plena e gratificante.
+ Ser tentado não é problema. Indica, apenas, que estamos vivos. Só quem está vivo tem liberdade para escolher entre o bem e o mal. Os mortos já não podem escolher e, por isso, não podem mais ser tentados!
Se nós não fossemos tentados, qual seria nosso mérito em praticar o bem? Faríamos o bem apenas de forma automática. Mas porque, podendo fazer o mal, resolvemos (não sem esforço, porém) fazer o bem, aí está o nosso mérito e o nosso valor.
Os santos são santos não porque fizeram o bem simplesmente; mas porque, podendo fazer o mal (sempre mais fácil) escolheram o caminho mais difícil do bem. Nisso se fundamenta a santidade deles.
Jesus, como Filho de Deus, não poderia fazer o mal, mas quis ser tentado para mostrar-nos que podemos vencer as nossas más inclinações e, dessa luta, sairmos fortalecidos. Por isso, no Pai Nosso, Ele não nos ensinou que devíamos pedir “não permitas que sejamos tentados”, mas “não nos deixes cair na tentação”. Aceitar e se entregar à tentação é obvio que é o problema...!
Fortalecer a nossa fé, aprimorar o nosso amor a Deus e aos irmãos, disciplinar nossa força de vontade... é “vitaminar” nossa vida espiritual. Quaresma é isso!
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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012 |
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Nesta Quaresma somos convidados a participar da Campanha da Fraternidade com o tema FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA, que vem expressada no lema "Que a saúde se difunda sobre a terra",
Unidos com Cristo, fonte da vida, da saúde e da paz, queremos aprender a cuidar da vida, zelando pela nossa saúde e renovando o compromisso de fazer com que todas as pessoas tenham acesso aos meios necessários para a garantia da saúde e a preservação da vida.
Embora a saúde seja um dom de Deus, sabemos da nossa responsabilidade, não só em combater as doenças, mas também de evitá-las. Neste sentido, a saúde é também uma conquista humana.
Constatamos, porém, que o cuidado com a saúde na nossa sociedade não acontece de maneira satisfatória. É nossa missão conhecer nossos direitos e exigir do Estado o cumprimento da sua obrigação.
A Igreja, através da Pastoral da Saúde, busca ser a voz sensibilizadora e denunciadora da exclusão e da marginalização dos doentes numa sociedade preocupada com o ter e o poder, onde a saúde é vista como mercadoria e as pessoas adoecidas como um peso para a sociedade.
Como cristãos e cidadãos, precisamos exigir os nossos direitos. Cuidar da vida é zelar pelo dom mais precioso que Deus nos deu. Por isso, é nossa missão amar, defender e proteger a vida desde a concepção até o seu declínio natural.
Essa será uma forma concreta de vivencias a nossa Quaresma.
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Homilia escrita por:
Pe. C. Madrigal
ciriacomadrigal@gmail.com |
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DIA 22 DE FEVEREIRO DE 2012 |
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QUARTA-FEIRA DE CINZAS |
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Nesta Quarta-feira de Cinzas (22/02/12) iniciamos o tempo litúrgico da “Quaresma”, que lembra os quarenta dias que o Senhor passou no deserto, em jejum e oração, preparando-se para dar início à sua missão. Com o olhar posto na Páscoa, iremos nos preparar nos próximos quarenta dias, para a Celebração da Ressurreição do Senhor “passando” (daí a palavra Páscoa) para uma vida de maior fidelidade a Deus e maior compromisso na construção de um mundo mais humano e mais cristão.
Esta “passagem” leva consigo a ideia de “conversão”, que é voltar-se para Deus e para aquilo que é essencial em nossa vida. Precisamos reconhecer que muitas vezes nos desviamos do caminho da vida e dirigimos nossos passos por sendas lisonjeiras, mas que levam à perdição e à morte. Por isso a fórmula de imposição das cinzas diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Trata-se de crer no evangelho da misericórdia de Deus (que é perdão, graça e salvação) e dar os passos necessários para uma conversão interior, renovando o nosso Batismo sob orientação da Palavra de Deus.
A Quaresma é bem isto: um caminho de fé (purificando nossas motivações), um caminho de libertação (de todas as amarras que nos impedem de seguir o caminho de Deus), um caminho de fidelidade (que nos ajude a sermos coerentes com a nossa fé).
Neste caminho de volta para Deus, Jesus não quer tristeza (“Quando você jejuar, perfume a cabeça e lave o rosto”). Tem que ser um caminho bastante animado porque, pela penitência quaresmal, o que queremos é unir-nos a Jesus Ressuscitado, na Páscoa, para passar da morte para a vida.
A Liturgia nos diz: “Voltem para mim de todo o coração” (1ª leitura) porque “É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação” (2ª leitura). Tudo partindo do intimo do coração e mediante a prática das boas obras, que devem ser feitas com uma discrição tal que “a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz” (evangelho). |
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A PALAVRA DE DEUS NA BÍBLIA |
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1ª LEITURA: Joel 2,12-18 |
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12 Pois agora - oráculo de Javé - voltem para mim de todo o coração, fazendo jejum, choro e lamentação. 13 Rasguem o coração, e não as roupas! Voltem para Javé, o Deus de vocês, pois ele é piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor, e se arrepende das ameaças. 14 Quem sabe, ele volte atrás e se arrependa, deixe para nós bênção, oferta e libação de vinho para Javé, o Deus de vocês.15 Toquem a trombeta em Sião, proclamem um jejum, convoquem uma assembléia. 16 Reúnam o povo, organizem a comunidade, chamem os velhos, reúnam os jovens e crianças de peito. O jovem esposo saia do quarto, a jovem esposa deixe o seu leito. 17 Os sacerdotes, ministros de Javé, venham chorar entre o pórtico e o altar, e digam: «Javé, tem piedade do teu povo! Não entregues a tua herança à vergonha, à caçoada das nações». Por que se deveria dizer entre os povos: «Onde está o Deus deles?»
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O profeta Joel faz um apelo à conversão e fala da necessidade de restaurar a nossa relação com Deus voltando-nos para Ele com sinceridade e confiança. Uma conversão que não consiste em formalidades e ritos puramente exteriores (“Rasguem o coração, e não as roupas!”), mas que provém do mais íntimo da pessoa humana, que é o coração. O coração guarda os sentimentos, os pensamentos, os projetos e as decisões; todas essas coisas são as que o ser humano pode e deve mudar para o jejum tornar-se um ato de humildade e conversão diante de Deus e não apenas uma prática exterior e, muitas vezes, um tanto hipócrita.
Neste ponto, Joel revela a proposta de salvação que Deus nos faz (“Voltem para... o Deus de vocês, pois ele é piedade e compaixão... e cheio de amor”). Se voltarmos para Deus, Ele também se voltará para nós com amor e misericórdia porque Ele é um Pai compassivo que nos quer bem. |
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2ª LEITURA: 2Corintios 5,20-6,2 |
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20 Sendo assim exercemos a função de embaixadores em nome de Cristo, e é por meio de nós que o próprio Deus exorta vocês. Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus. 21 Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por meio dele sejamos reabilitados por Deus.1 Visto que somos colaboradores de Deus, nós exortamos vocês para que não recebam a graça de Deus em vão. 2 Pois Deus diz na Escritura: «Eu escutei você no tempo favorável, e no dia da salvação vim em seu auxílio.» É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação.
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São Paulo afirma que Deus escolheu os apóstolos para exercerem o ministério da reconciliação e é por meio deles que o Senhor nos concede a sua graça que não podemos deixar de acolher (“não recebam a graça de Deus em vão”). São palavras que vão dirigidas aos cristãos de Corinto e aos cristãos de todos os tempos, acompanhadas de um convite muito especial: “reconciliem-se com Deus”.
Se acreditarmos que a graça de Deus nos abre o caminho da reconciliação com Ele e esta graça é consequência da Redenção que Cristo nos mereceu na cruz, cada um de nós poderá sentir-se acolhido por Deus conforme as palavras do profeta Isaías, citado pelo mesmo Paulo: «Eu escutei você no tempo favorável, e no dia da salvação vim em seu auxílio.». Neste sentido, podemos ter certeza de que a resposta de Deus diante de nosso desejo de conversão sempre será esta: “É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação”. |
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EVANGELHO: Mateus 6,1-6.16-18 |
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1 «Prestem atenção! Não pratiquem a justiça de vocês diante dos homens, só para serem elogiados por eles. Fazendo assim, vocês não terão a recompensa do Pai de vocês que está no céu.» 2 «Por isso, quando você der esmola, não mande tocar trombeta na frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. 3 Ao contrário, quando você der esmola, que a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz, 4 para que a sua esmola fique escondida; e seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.» 5 «Quando vocês rezarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas, para serem vistos pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. 6 Ao contrário, quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao seu Pai ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.»..................16 «Quando vocês jejuarem, não fiquem de rosto triste, como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. 17 Quando você jejuar, perfume a cabeça e lave o rosto, 18 para que os homens não vejam que você está jejuando, mas somente seu Pai, que vê o escondido; e seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.»
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Jesus nos exorta a viver uma espiritualidade autêntica. Para isso, cita três atos de virtude (esmola, oração e jejum), distinguindo entre seus aspectos positivos e negativos. O aspecto negativo caracteriza uma atitude hipócrita e pouco sincera. O aspecto positivo corresponde a uma atitude sincera e transparente, agradável a Deus.
Nisso tudo somos intimados a tomar uma atitude sincera e positiva porque exibir-se fazendo o bem não tem como objetivo o bem em si mesmo (que seria ajudar o necessitado, relacionar-se com Deus ou fazer penitência), mas a própria vaidade. Se for isso o que se procura, Jesus repete três vezes: “já receberam a recompensa”. Não há porque esperar nada de Deus. A boa ação perdeu seu verdadeiro valor. Pelo contrário, se fizermos o bem de forma que “a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz” (Jesus repete três vezes de novo) será recompensado por um Deus-Pai “que vê o escondido”.
A esmola só tem sentido se for uma forma de partilha dos próprios bens, orientada por um espírito de solidariedade e de fraternidade para com aqueles que carregam a pesada cruz da vida (a todos eles há de abrir-se o nosso coração na Quaresma e depois dela). A oração se entende como o cultivo de nossa relação pessoal com Deus, identificando os nossos desejos com a vontade do Pai (sempre com discrição, no íntimo do coração). O jejum como uma forma de vivenciar a austeridade de vida, usando com moderação os bens materiais, renunciando ao luxo e à ostentação e controlando a febre consumista em sinal de solidariedade com os mais pobres.
Quaresma não pode ser uma farsa hipócrita para aliviar a nossa consciência como faziam os fariseus que jejuavam, oravam e davam esmolas só “para serem vistos pelos homens”. O evangelho de hoje é um convite à simplicidade e à verdade. |
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A PALAVRA DE DEUS NA VIDA |
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Lendo a Bíblia atentamente, percebemos que existem três formas de praticar a “justiça” que, na linguagem bíblica, significa fazer o bem em relação ao próximo (a esmola), em relação a Deus (a oração) e em relação a si mesmo (o jejum). Todas elas são práticas recomendadas como formas privilegiadas de restaurar e revitalizar a nossa espiritualidade.
A esmola é um gesto de partilha, e deve ser o sinal da compaixão que busca a justiça para quem ficou excluído dos bens materiais necessários para a vida. Ela beneficia não só àquele que a recebe mas, também, àquele que a dá; porque ajuda a controlar o egoísmo da posse. Dar esmola para ser elogiado é servir-se a si mesmo e, portanto, falsificar e deturpar seu verdadeiro sentido.
Quantas campanhas e promoções, ditas “beneficentes”, poderiam ser questionadas em base a este critério evangélico...! Fazer publicidade própria a custa dos pobres é o cúmulo da exploração. Não precisa ser doação anônima porque, às vezes, faz bem para aquele que a recebe ver o rosto amigo de quem o ajuda mas, pelo menos, que seja o mais discreta possível. Além do mais, essa é a forma de dar esmola com respeito e delicadeza. O que nunca é demais.
Na oração, o homem se volta para Deus, reconhecendo-o como único absoluto, e reconhecendo-se a si mesmo como criatura. Isso ajuda a controlar o orgulho e a auto-suficiência tão característicos do homem moderno. Mas fazer oração para ser elogiado é falsificar a oração porque se chega ao ponto de usar de Deus para colocar-se num certo pedestal tão tolo quanto inútil.
Jejuar não precisa ser, necessariamente, privar-se do alimento, embora seja uma prática antiga consagrada pela Igreja, mas, sem dúvida, significa prescindir de certas dependências que se tornaram necessidades artificiais como o uso compulsivo da TV, o cigarro, o álcool, o consumismo, qualquer tipo de droga e por aí afora. Tudo para abrir novas perspectivas de vida, superar o egocentrismo e levar uma vida livre de amarras.
Hoje em dia as pessoas abandonaram os costumes antigos sobre o jejum, mas não colocaram em seu lugar tanta coisa da qual podemos jejuar para ter uma vida livre de dependências. Jejuar para guardar a linha, porém, é perder de vez o sentido do jejum.
No evangelho, Jesus não nega o valor destas práticas. Mostra, apenas, como devem ser feitas para se tornarem autênticas, valiosas e aceitáveis aos olhos de Deus. |
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PENSANDO BEM... |
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+ A cinza que recebemos neste dia, representa a fragilidade da vida, os limites da existência,
a enfermidade e a debilidade de nosso ser orgânico e psíquico, a ruína que nos ameaça de mil modos e a qualquer hora,
a ruptura dos nossos sonhos, a corrupção social e comunitária... e, sobretudo, O RECONHECIMENTO DO NOSSO NADA
E A CERTEZA DE QUE SÓ EM DEUS ENCONTRAMOS SEGURANÇA COMO CONSEQUÊNCIA DA NOSSA CONVERSÃO. |
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ORAÇÃO - (Rufo González) |
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Abre, Senhor, nossa mente e coração a teu Espírito:
Que ilumine, para nós, o sentido profundo da vida,
Que faça da cinza colocada sobre nossas cabeças um sinal verdadeiro,
Que ao longo da Quaresma penetre em nosso ser humano, religioso e cristão...
Que nos ajude a descobrir a verdade em nós e em nossos afazeres,
Que nos faça sentir interiormente o amor do Pai,
Que ore em nós e dê testemunho de nossa filiação divina,
Que nos transforme à tua imagem, ó Cristo, irmão de todos nós.
Amém!
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Homilia escrita por:
Pe. C. Madrigal
ciriacomadrigal@gmail.com |
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