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A Raiz da Fraternidade Apostólica
As bulas papais citadas, além de outras (como a Vota devotorum, de 23/03/1244), garantiram aos irmãos seu caráter eremítico-contemplativo a ser vivido em comunidade fraterna. Deram-lhes, ademais, um caráter apostólico, também desejado pelos irmãos, isto é, permitiram-lhes, aos que fossem sacerdotes, pregar a palavra
de Deus e ouvir confissões.
Delineava-se, assim, a fisionomia da nova Ordem que, com os favores da Santa Sé, difundiu-se rapidamente pela Europa. Em 1250 a Ordem tinha 61 conventos. Em 1255 estava presente na Inglaterra, Espanha, França e Alemanha.
Em 1256,provavelmente em março, na Basílica de Santa Maria del
Popolo, confiada aos Agostinianos em 1250, houve,
com a presença de 360
irmãos,
a chamada Grande União.
Outro grupo monástico, o dos eremitas de São Guilherme, de Regra beneditina,
uniu-se à nova Ordem por determinação da Santa Sé (cf. bula Cum quaedam salubria, 15/07/1255).
Provavelmente porque eram os únicos, na Tuscia, a não compor a Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. Assim, todos na região, fariam um só
grupo. Outros grupos incorporados, mas não nominados na bula papal convocatória, também se uniram à Ordem.
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São eles: os eremitas do Beato João Bom, os eremitas
de Brettino e os de Montefavale e a Província Lombarda dos Pobres Católicos, além de outros grupos menores,
cuja denominação é desconhecida. Os motivos da referida união foram: evitar confusão entre os grupos, já que o povo não os distinguia bem, confundindo-os especialmente com os franciscanos, e fomentar sua união espiritual. Apesar do acordo da maioria, os Guilhermitas, poucos meses depois (agosto) pediram para voltar a ser uma Ordem em si; o que lhes foi concedido.
Confirmadas as decisões da Grande União (cf. bula Licet ecclesiae catholicae, 09/04/1256), excetuando-se a retirada dos Guilhermitas, a Santa Sé, em documentos sucessivos, recordava o caráter eremítico-contemplativo da Ordem, e reiterava o acréscimo do caráter apostólico, pedindo aos eremitas que não evitassem os centros urbanos. Assim, os eremitas, pela profissão dos conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) e o contato direto com o povo, dariam um autêntico testemunho de vida cristã, de evangelização e cura das almas (cf. bulas Recordamur liquido, de 17/06/1256, e Litteras nostras, de 15/10/1256).
A Ordem, portanto, mantendo-se eremítico-contemplativa, colocava-se entre as Ordens ditas mendicantes, ou, e como se prefere hoje em dia, de fraternidade apostólica; o que não destoava do estilo de vida de Agostinho de Hipona.
A Ordem de Santo Agostinho, então, via-se caracterizada por um estilo de vida, ao mesmo tempo, contemplativo e apostólico; dedicada à busca de Deus no cultivo da vida interior e em vida comum, mas também à transmissão ao povo de Deus da verdade buscada e encontrada.
Convergiram, assim, em uma admirável unidade a) a busca da verdade e a vida comum, marcas fundamentais do monacato
e da eclesiologia de Agostinho, b) a vida contemplativa dos eremitas e c) a atividade apostólica, em suas várias formas, segundo as necessidades da Igreja. Estes três elementos, que se encontram no próprio Agostinho, dão a fisionomia,
ou o carisma, da Ordem e condensam sua rica espiritualidade.
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