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HOMILIA dominical - 12.09.2021

24º Domingo do Tempo Comum

Queridos irmãos, a liturgia deste 24° domingo do Tempo Comum, convida-nos a entrarmos na lógica do projeto divino que escapa completamente da nossa humana e falha capacidade de compreensão. O Deus da Bíblia que se revelou na plenitude dos tempos em Jesus mostra-se como um Deus que passa pelo sofrimento, humilhação e pela dor. Esse Deus, o único capaz de se compadecer de nós, porque passou pela cruz, convida-nos a aceitarmos a lógica da cruz, do aparente fracasso, da humilhação temporária.            

Na primeira leitura de hoje (Is. 50,5-9), tirada do livro do profeta Isaías, contemplamos estarrecidos um estranho personagem, que se mostra como a personificação da dor e do sofrimento. Contrariamente ao que se esperava de um profeta ou mesmo do Messias prometido, esse estranho servo cumpre o projeto de salvação de Deus através da obediência total à Palavra de Deus e não pela força e poder. O Servo Sofredor, nome com o qual esse personagem é chamado no livro de Isaías, vence depois de muito sofrer, porque aprendeu a confiar sem medidas em Deus. Ele sabe que a dor e a humilhação não tem a última palavra:  Mas, o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A profunda fé, a entrega sem reservas ao projeto de Deus e o aspecto do sofrimento caracterizam esse servo sofredor.

Todavia, essas características podem ser encontradas em outro personagem parecido ao servo sofredor, a saber: a vida e a experiência de Jesus de Nazaré. Jesus e o mistério que encerra a sua pessoa, também nos deixa perplexos, quebrando nossa lógica humana, com a qual tentamos em vão, compreender os mistérios desígnios da providência divina. Isso fica muito claro no episódio do Evangelho de hoje (Mc 8,27-35) no qual Jesus que no meio do caminho faz uma pergunta sobre a sua identidade: quem dizem os homens que eu sou? Depois de recolher as respostas e não ficar satisfeito com nenhuma delas, pois não refletiam verdadeiramente seu ser, Jesus volta-se para os discípulos e pergunta-lhes: e vós, quem dizeis que eu sou? Essa é a pergunta fundamental, a única que importa ao verdadeiro crente: como eu me posiciono diante de Jesus? Quem é ele para mim? Um simples homem? O mais sábio de todos os homens? Um espírito iluminado? Um impostor? Uma mentira? Deus? Para o seguidor de Jesus, que fez a experiência da sua pessoa, a resposta de Pedro é modelar: tu és o messias.

Porém, a resposta acertada de Pedro quanto à identidade não é a mesma sobre o destino de Jesus. Com efeito, quando o Senhor anuncia que precisa enfrentar a cruz, Pedro, atendo-se a sua lógica humana, começa a repreender severamente o Mestre. Jesus, voltando-se para ele, dirige uma das palavras mais duras da Escritura: Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens. Essa resposta de Jesus deve ser exemplar para nós também, pois o lugar do discípulo é ir atrás do Mestre, nunca na frente querendo antecipar, prever o caminhar do mestre. Por isso, que Jesus termina ensinando que o verdadeiro discípulo deve assumir a lógica da cruz, da doação e da entrega.

E nós como pensamos/imaginamos Deus? Não queremos um Deus a nossa medida? E o mais fundamental: quem é Jesus para mim?


Escrita por:

Frei Mário Sérgio Manosso Rocha, OSA

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