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HOMILIA dominical - 17.10.2021

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

O Evangelho deste domingo apresenta o episódio de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que pedem a Jesus para que faça-os sentar um à sua direita e o outro à esquerda na glória (Cf. Mc 10,37). Esse mesmo relato encontra-se no Evangelho de Mateus (Cf. Mt 20,20-28).

Para entender melhor o pedido dos dois discípulos é preciso compreender o seu contexto. Jesus estava subindo para Jerusalém e, enquanto caminhavam, começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele, ou seja, seria entregue aos sacerdotes e aos doutores da Lei; condenado, caçoado, torturado, morto, mas que ressuscitaria (Cf. Mc 10,32-34).

Essa não é a primeira vez que Jesus anuncia verdades em relação a sua morte (Cf. Mc 9,31; Mt 16,21). Teofilacto de Ócrida, comentarista bíblico, relata que os dois discípulos (Tiago e João) “acreditavam que Jesus subiria a Jerusalém para reinar e depois sofreria o que predissera que iria sofrer [...]”. Neste mesmo sentido escreve São João Crisóstomo: “de tanto ouvir Cristo falando frequentemente de Seu reino, os discípulos julgavam que este reino não seria depois de Sua morte; e, por isso, uma vez anunciada a Morte de Cristo, aproximaram-se d’Ele para fazerem-se imediatamente dignos das honras do reino”.   

O pedido dos filhos de Zebedeu e Salomé (Cf. Mc 15,40; Mt 27, 56) a Jesus é feito em vista do que, muito em breve, iria acontecer. Contudo, compreender a razão para o pedido destes dois não o torna menos ganancioso, interesseiro etc., entretanto ajuda a conceber a razão para sua existência, principalmente, logo após o anúncio da paixão.

A petição de Tiago e João trata-se de um pleito repleto de expectativa terrena, vaidade, ambição e superioridade, ações por diversas vezes reprovadas por Cristo (Cf. Mc 9,35; Lc 14,7-14). Sobre o que esses dois pedem a Jesus, São João Crisóstomo explica que “eles pediam a primazia sobre os demais, estar à frente dos outros, uma vez que tinham ouvido ser dito sobre os apóstolos que sentar-se-iam sobre os doze tronos” (Cf. Mt 19,28).

O que se passa nesse relato é uma grande lição para todos nós e um apelo a agirmos de forma diferente da maneira como atuaram esses dois apóstolos. O nosso pedido não deve ser igual ao de Tiago e João (Cf. Mc 10,37), mas igual ao do Bom Ladrão: “Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!” (Lc 23,42), porque o trono de Deus é a Cruz e ao seu lado estão os ladrões (Cf. Mc 15,27), isto é, os pecadores, aqueles que necessitam d’Ele. Seu reino é perdão para o que se arrepende e juízo para o que não se arrepende de ter praticado o mal.

Por mais que Pedro, Tiago e João fossem do grupo dos mais próximos a Jesus (Cf. Mt 17,1-9; Mc 14,32-42), isso não os impediu de cometer erros em determinados momentos ou ao pretenderem determinados desejos. Nós não estamos isentos de cometermos as mesmas falhas, por isso a importância de estarmos atentos ao que pedimos. Deve haver vigilância (Cf. Mt 26,41) até mesmo em relação ao que imploramos ao Senhor.

Em nossas orações devemos pedir a Deus que Ele nos livre da tentação de implorarmos por bobagens. Nosso substancial engano, sobre o que pedimos, seria querer mudar a vontade de Deus. O principal na oração não é mudarmos a vontade do Senhor, mas nos conformarmos a ela mudando a nossa. Convém saber que Deus nos escuta atentamente e está disposto a nos conceder o que pedimos (Cf. Mt 7,7), porém está claro que, por inúmeras vezes, não sabemos o que pedir ou pedimos errado e acabamos não recebendo o que desejamos porque pedimos mal (Cf. Tg 4,3).

Como Pedro, uma hora estaremos pedindo coisas boas e escutando de Jesus palavras de felicitações, outra hora estaremos pedindo absurdos e escutando de Jesus palavras de reprovação (Cf. Mt 16,21-23). Apesar da nossa predisposição a cometermos erros, na vida, inclusive nos momentos de oração, é importante não desanimar e termos consciência de que Deus está sempre disposto a nos corrigir e nos ensinar.

Querer que Deus realize a nossa vontade sem que esta coincida com a Dele consiste em pedir o impossível ou, no mínimo, impedi-Lo de agir em nossas vidas. Nós que devemos realizar a vontade de Deus e não Ele a nossa. Se o que queremos tem a pretensão de beneficiar-nos em detrimento de outros, como poderá Deus conceder-nos o que pedimos? Não pode haver distância entre os nossos planos e os de Deus, eles devem convergir. Cada projeto de nossas vidas deve estar a serviço dos planos de Deus.

O plano de Deus é que sejamos irmãos e seus filhos, portanto uma família. Na família de Deus tem lugar de muita honra e distinção aquele que serve (Cf. Mc 10,43) porque foi assim que Jesus se manifestou, ele veio para ser serviço. Estar a serviço significa ajudar o mundo e tudo o que há nele a ser melhor. Será ajudando ao que sofre, o que necessita de socorro, amparo e ser curado que faremos com que o mundo creia e, portanto, estejamos todos, definitivamente, colaborando com a instauração do verdadeiro Reino que não consiste em honra e prestígio, mas em ajudar aqueles que me deu como irmãos através do trabalho que posso fazer (Cf. Sto. Agostinho – Catequese a Principiantes, n°1.2).

 

Escrita por:

Frei Ábdon Santana, OSA

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