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HOMILIA dominical - 21.11.2021

SOLENIDADE DE JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

A Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, celebrada todos os anos, instituída pelo Papa Pio XI no ano de 1925, serviu à necessidade que a Igreja tinha e segue tendo de afirmar a realeza de Cristo em contraposição ao pensamento laicista, contrário ao cristão, cada vez mais crescente.

Originalmente pensada para ser uma festa que precederia a Solenidade de Todos os Santos, como forma de exaltar a glória daquele que triunfa em todos os santos, com a reforma litúrgica, gerada a partir do Concílio do Vaticano II, ela foi transferida para o último domingo do Ano Litúrgico (34° do Tempo Comum) (Cfr. Encíclica Quas Primas).

O Ano litúrgico tem início com o Tempo do Advento, de forma muito simples, preparação para o Natal do Senhor. Ele é iniciado com o Advento tanto porque em Deus temos início, Ele é o Criador de todas as coisas (Cfr. Cl 1,16) quanto por nossa salvação se dar graças a Encarnação do Verbo (Cfr. Jo 1,14). Encerrá-lo com a Solenidade de Cristo Rei, significa dizer, por analogia, que o nosso fim, igualmente ao nosso início, também se dará em Deus e num Deus que é rei todo poderoso.

Nossa linguagem é falha e principalmente limitada. Quase sempre faremos uso dela, mesmo conscientes de suas imperfeições, pois necessitamos nos comunicar, expressar o que sentimos e pensamos a respeito da realidade. Tudo isto se agrava ainda mais quando por meio dela carecemos de explicar as realidades espirituais. Dizer que Cristo é rei e celebrá-lo como tal não significa comparar ou entendê-lo como igual aos reis da terra. Muito embora o seu reino não seja deste mundo (Cfr. Jo 18,36), ele está aqui. Ele disse meu reino não é deste mundo e não meu reino não está neste mundo. Meu reino não é daqui e não, meu reino não está aqui. Ele está aqui até o final do mundo (Cfr. Sto. Agostinho - Comentário a Jo 18,33-40 – Tratado 115).

Muito embora tenha sido grande o número de reis e rainhas santos (Santa Isabel de Portugal, São Fernando de Castela, Santo Estêvão da Hungria, Beata Maria Cristina de Saboia etc), é automático associar diversos reis e rainhas, que reinaram no passado de acordo com categorias humanas, a uma imagem muito negativa relacionada a estes que reinaram tiranicamente cometendo verdadeiras atrocidades, mandando matar inocentes, impondo leis absurdas, cobrando altos impostos, confiscando bens alheios, destruindo outros reinos, torturando o próprio povo etc. E talvez por esta razão alguns dentre nós tenham aversão a chamar Jesus Cristo de rei.

Cristo é rei conforme categorias diferentes das humanas. Ele é rei porque é “o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (I Tm 6,15). Reconhecer sua realeza, em outras palavras, é reconhecer sua divindade, que sempre se manifestou a serviço dos mais necessitados. Seu poder eterno e reino que não se dissolverá (Cfr. Dn 7,14) estão a serviço (Cfr. Jo 13,14-15) daqueles que mais necessitam do auxílio de sua graça. O reinado de Cristo não consiste em sucesso, reconhecimento, prestígio, força, dinheiro, poder ou no reinado dos poderosos, mas no reinado do povo que se quando o dia da paz renasce, o sol da esperança brilha, quando o povo nas ruas sorrir, quando as cercas caem no chão, quando as mesas se encherem de pão, quando as armas da destruição são destruídas e o decreto que encerra a opressão é assinado no coração etc (Cfr. Utopia – Zé Vicente).

Em todas as memórias, festas e solenidades litúrgicas o objetivo sempre é a exaltação da ação salvífica de Deus em nossas vidas; sempre tratar-se-á de uma oportunidade para evidenciar o quanto a bondade, o amor e o poder de Deus
independem de nós ou de nossas fraquezas e é grande. Sendo assim, a Solenidade de hoje é um convite a jamais esquecermos que para Jesus reinar é preciso servir a ele na pessoa do irmão e irmã a quem devemos amar como prova de nosso amor a Deus e ao próximo (Cfr. Mc 12,29-31).

Cristo vence? Vence. Cristo reina? Reina. Cristo Impera? Impera. Onde? Primeiro venceu, reinou e imperou na cruz (Cfr. Jo 19,19), revelando-se testemunha fiel, depois em cada coração que se abre em acolhimento a ele, na Santa Eucaristia, na Santa Palavra etc., mas em cada coração que palpita de amor por ele. Que esta grande celebração, de fato, seja nossa grande oração de súplicas a Deus por um reino (vida) eterno e universal, da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz para toda a multidão dos seus filhos e filhas (Cfr. Prefácio: Cristo, Rei do universo).

Escrita por:

Frei Ábdon de Santana M. dos Santos, OSA

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