Um brevíssimo recorrido histórico pelos 75 anos da Paróquia Santa Rita de Cássia de Montevidéu
 
 

Um brevíssimo recorrido histórico pelos 75 anos da Paróquia Santa Rita de Cássia de Montevidéu

Paróquia Santa Rita de Cássia, 75 anos de história e louvor.

Província em Foco

04.10.2024 - 08:08:00 | 6 minutos de leitura

Um brevíssimo recorrido histórico pelos 75 anos da Paróquia Santa Rita de Cássia de Montevidéu

Este ano celebramos os 75 anos de fundação da Paróquia de Santa Rita, localizada em Montevidéu, capital da República Oriental do Uruguai. Esta comunidade nasceu a partir da presença e do apostolado dos freis agostinianos no bairro de Punta Gorda, em conjunto com o Colégio Santa Rita, compondo o trabalho missionário da Ordem no Uruguai.

A história dos agostinianos em Montevidéu remonta a um período anterior. Já em 1900, o superior da missão no Brasil, Frei Joaquín Fernández, recebeu a oferta de uma paróquia por parte do arcebispo local. Entretanto, foi apenas em 1932 que a presença agostiniana se consolidou com a chegada dos frades da Província do Sagrado Coração de Jesus, do Escorial (Espanha), à Paróquia do Sagrado Coração e São Paulo, no bairro de Maroñas. Esses missionários trouxeram consigo o carisma da Ordem e a devoção a Santa Rita de Cássia, que se tornou a padroeira da paróquia, invocada até hoje como a grande santa das causas impossíveis. A permanência dos religiosos foi interrompida em 1942, quando os frades retornaram à Espanha devido às perdas causadas pela Guerra Civil.

Foi o Prior Provincial da Província do Santíssimo Nome de Jesus, Frei Manuel Álvarez, que teve a iniciativa de restabelecer a presença da Ordem no Uruguai, como uma “missão de apoio entre Brasil e Argentina”. Após um hiato de sete anos, e com o apoio do arcebispo de Montevidéu, do Prior Geral da Ordem (Frei José Hickey) e da Santa Sé, a Vice-província da Argentina enviou em definitivo os primeiros missionários: Frei Eutiquio Alcade e Frei Juan Dominguez.

O arcebispo de Montevidéu, Monsenhor Barbieri, cedeu um terreno no bairro de Punta Gorda, uma área balneária na época, onde as pessoas buscavam refúgio do centro urbano. Havia ali uma casa simples, sem condições adequadas de habitação, mas foi nela que os frades fixaram residência após um período de hospedagem com os frades capuchinhos no convento Santo Antonio e Santa Clara.

A primeira Missa em Punta Gorda foi celebrada em 6 de fevereiro de 1949, às 9h30, no jardim da residência, em uma ermida de madeira coberta por palha, que protegia apenas o altar. As crônicas da comunidade relatam que Dona Antonia Bergues del Greco foi a responsável por divulgar a celebração. Na ocasião, os frades sequer possuíam os objetos necessários para a liturgia; o altar era a mesa de jantar, a pedra d'ara foi emprestada pelo Dr. Andrés Castro, e até o vinho foi doado por Dom Basílio Mendizábal, um espanhol de origem basca. Estiveram presentes 150 pessoas, e, sob a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, emprestada por Dona Antonia, iniciou-se o Culto Divino, mantido ininterruptamente desde então.

Em 9 de outubro de 1949, foi abençoada e assentada a pedra fundamental do novo templo, uma pedra de granito adornada com as cores dos pavilhões do Reino da Espanha, da Santa Sé e da República do Uruguai. A cerimônia contou com a presença do ministro espanhol, Dom Juan Pablo de Lojendio, do arcebispo mons. Barbieri, do Prior Provincial da Espanha, Frei Félix García, e dos frades fundadores, Frei Eutiquio Alcade e Frei Juan Dominguez.

No dia 31 de dezembro de 1949, a modesta residência dos padres foi transformada em templo provisório para a instalação canônica da Paróquia Santa Rita de Cássia. Frei Juan Dominguez assumiu como primeiro pároco, auxiliado por Frei Juan López.

A construção do primeiro templo teve início em 1952, com dimensões de 22m x 8,4m. O templo já contava com um campanário, altar, pia batismal, confessionário e uma bela imagem de Santa Rita, esculpida em madeira, venerada ao menos desde a Missa de Natal de 1949. A manutenção do templo era feita por uma associação de fiéis, as Damas e Amigos de Santa Rita, liderada por Dona Antonia del Greco. Além de doações espontâneas, a construção foi possível graças à mendicância do Frei Epifanio Alaez, que pedia contribuições porta a porta.

Em 1988, devido à preocupação com o estado estrutural do templo, iniciou-se o planejamento de uma nova igreja, um sonho desde a década de 1950, adiado pela construção do colégio. As obras do novo templo começaram em 1989, sob a liderança do pároco Frei Nicanor Juárez. O novo templo, com 178 metros quadrados, foi orientado para a rua Friburgo, e consagrado em 5 de outubro de 1991 pelo arcebispo Monsenhor José Gottardi, SDB.

Em 2019, durante o Capítulo Intermédio da Província Agostiniana do Brasil, foi aprovada a proposta de assumir a presença no Uruguai, após a saída do Vicariato Santo Alonso de Orozco. Os frades Frei Maurício Manosso (prior e pároco), Frei Cristiano Zeferino (diretor do Colégio Santa Rita) e Frei William Micheleto (ecônomo e vigário paroquial) foram enviados pelo Prior Provincial, Frei Cláudio de Camargo. A posse do primeiro pároco aconteceu em 13 de setembro de 2020, durante Missa presidida pelo cardeal Daniel Sturla, SDB. A celebração foi adiada devido à pandemia de Covid-19, que dificultou o início das atividades missionárias conforme planejado.

Chegamos em 2024, ano da celebração dos 75 anos de nossa paróquia com o sentimento de gratidão a Deus por sua misericórdia, dispensada em abundância na vida de centenas de cristãos que em comunidade fizeram a experiência do Cristo Crucificado-Ressuscitado. Como um marco deste ano jubilar, na festa de Santa Rita (22 de maio) o senhor Arcebispo Cardeal Daniel Sturla depositou sob o altar do templo as relíquias dos santos mártires que estavam no altar primitivo da paróquia, junto com as relíquias do frade agostiniano o Bem-aventurado Mariano de la Mata, da primeira santa uruguaia Santa Francisca Rubato e do primeiro bispo de Montevideo o Beato Jacinto Vera.

No dia 5 de outubro de celebra solenemente o aniversário de dedicação do novo templo paroquial, onde se faz memória desses 75 anos de história, com solene missa pontifical presidida pelo senhor núncio apostólico no Uruguay, Mons. Gianfranco Gallone, arcebispo titular de Mottola. E com a presença dos superiores agostinianos do Vicariato da Argentina, Fr. Juan Antonio Gil Solórzano, e da Provincia Agostiniana do Brasil, Fr. Maurício José Manosso Rocha, o que representa a continuidade da presença agostiniana no país.

Rendamos graças ao Deus vivo e eterno por suscitar a presença agostiniana nas terras uruguaias, que Ele continue a abençoar esta missão, a comunidade paroquial e colégio e que inspire religiosos e leigos a seguir os passos de Agostinho de Hipona no discipulado de Jesus. Cristo, ontem, hoje e sempre!

Referências bibliográficas
PÉREZ, Emiliano Sánchez (OSA). La Familia Agustiniana en el Río de la Plata: Argentina y Uruguay. Montevideo: Edición Vicariato de la Argentina y Uruguay, 2002.
WEISMANN, Francisco J. (OSA). Presencia agustiniana en Argentina y Uruguay. Buenos Aires: Viceprovincia de Argentina, 1993.










Fonte Fr. João Marcos Pontes Borba Filho, OSA (Vigário Paroquial)
Imagem Becomaeso Fotografia
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