A esperança: nosso consolo na peregrinação
 
 

A esperança: nosso consolo na peregrinação

Neste artigo, exploramos como Santo Agostinho aborda a virtude teologal da esperança, mostrando-a como o consolo essencial para nossa peregrinação terrena. Com exemplos profundos e comparações marcantes, ele revela a força da esperança em sustentar nossa fé e guiar-nos até a meta final: o encontro com Deus.

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10.10.2024 - 11:43:00 | 4 minutos de leitura

A esperança: nosso consolo na peregrinação

Para entendermos o que Agostinho compreende por esperança, uma das virtudes teologais, é necessário relembrar uma de suas ideias-chave: o conceito de peregrinação. O homem, para o nosso santo, é um peregrino, um ser viajante. A esperança surge, então, como um alento, um consolo durante esta nossa existência terrena, marcada pela necessidade de peregrinar. O que nos permite avançar e não desanimar é justamente a esperança de chegar, ensina Santo Agostinho: “Se enquanto caminhamos não temos a esperança de chegar à meta, não tem sentido o caminho” (cf. Sermão 158,8). Talvez seja por isso que hoje muitos não encontram sentido no que fazem ou em seu caminhar, pois perderam a esperança. Não acreditamos que há algo depois da porta, resolvemos não abri-la. Pensamos que na linha de chegada não há mais o prêmio, então resolvemos não seguir correndo. O mundo para se não há esperança.

Bento XVI, o mais agostiniano dos papas, na sua encíclica sobre a esperança, ressoando os ensinamentos de Santo Agostinho, disse: “O presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (cf. Spe Salvi, 1). Sem a recompensa no final, nosso caminho fica mais pobre. Sem o abraço da pessoa amada, depois da longa espera, não tem sentido esperar. Sem o abraço de Cristo, o bom pastor, no final da nossa jornada, não teria sentido sermos cristãos. Por isso, nosso santo, que entendia muitíssimo dos assuntos humanos, escreveu: “Enquanto houver vontade de lutar, há esperança de vencer” (Sermão 154,8).

Assim como a fé é uma atitude humana fundamental, sem a qual pereceriam as sociedades humanas, da mesma forma, sem o alimento da esperança durante a nossa peregrinação, desanimaríamos. A esperança, junto com a virtude teologal da fé, sua inseparável companheira, é a virtude própria dos peregrinos, dos que ainda estão caminhando, suspirando pela pátria. Portanto, a esperança é companheira da fé. De fato, “a esperança é necessária até vermos o que acreditamos, porque, não vendo e desesperando, perdemos a nossa coragem. Entristece-nos o fato de não vermos, mas consola-nos o fato de que esperamos ver” (Sermão 53,11).

Agostinho não só era um agudo filósofo, mas também um pregador afiadíssimo. Uma vez, quando falou da esperança, comentando o texto de Lucas 11,11-13, onde se diz que Deus não oferece um escorpião a quem pede um ovo, nosso santo afirmou que a esperança pode ser comparada com um ovo. E isto porque, assim como o ovo ainda não é uma ave, também a esperança ainda não é. “Quando o ovo nasce, não tem mais a esperança de nascer uma ave, pois ela já veio ao mundo. Da mesma forma, a esperança cristã ainda não possui o seu objeto, que é Deus; precisamos esperar por Ele pacientemente, seguir peregrinando” (cf. Sermão 105,5,7).

A esperança precisa ser alimentada com a fé, caridade, oração, boas obras. Em outras palavras, para seguir a metáfora de Agostinho, devemos chocar o mais importante dos ovos, ou seja, a esperança. “A esperança ainda não chegou ao seu objeto, e o ovo, embora seja algo, ainda não é uma ave. Os quadrúpedes parem filhos; as aves, esperança de filhos. A esperança nos induz a desprezar as coisas presentes e a esperar as futuras, a nos esquecer do que ficou para trás e a tender, com o Apóstolo, ao que está adiante [...] Aqui temos o ovo. É, sim, um ovo, mas ainda não é uma ave. Está envolto na casca; não é visto por estar coberto. Espere por ele, portanto, com paciência. Dê-lhe calor para que a vida irrompa” (Sermão 105,5,7).


Artigo escrito por:
interioridade













Fonte Centro de Estudos Agostinianos
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