A honestidade para consigo e com os outros
 
 

A honestidade para consigo e com os outros

Entenda como a honestidade consigo mesmo e com os outros é essencial para o crescimento pessoal, segundo Santo Agostinho. Aprenda a refletir sobre suas virtudes e defeitos e a importância da sinceridade nas relações. Não perca essa reflexão profunda!

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25.11.2024 - 14:46:00 | 3 minutos de leitura

A honestidade para consigo e com os outros

Segundo Santo Agostinho, o homem tem um compromisso para consigo mesmo. Somos os únicos responsáveis pelo nosso crescimento. Por isso, é essencial em nossa vida não mentirmos para nós mesmos e não ignorarmos nossos defeitos e vícios. Não podemos deixar de questionar-nos, conhecer-nos e corrigir nossos caminhos tortuosos. Ser honesto significa olhar-se como se é e tentar ver as coisas como elas são. Isso requer uma contínua atenção para conosco e uma capacidade atenta de observação dos outros e do mundo. Que cada um entre no recanto de sua consciência e se examine a si próprio sem adulação. A maior tolice que um homem pode cometer é tentar enganar a si mesmo (Comentário ao Salmo 85,7,8).

Para Santo Agostinho, as coisas nunca são o problema de nossa vida; somos sempre nós mesmos que não sabemos como agir e vivenciar tais situações. Precisamos encarar as coisas como elas são, sem adulação para conosco, mas também sem excessivo escrúpulo. Não querer enfrentar nossos defeitos ou tentar fugir dos nossos problemas revela-se, no final, uma atitude inútil, pois a vida sempre pede contas e a consciência sempre nos martelará, pois é impossível escapar dela (cf. Comentário ao Salmo 302, 1,8). Em um belíssimo texto, nosso santo nos diz: "Ainda que fujas do campo para a cidade, ou da rua para tua casa, tua consciência vai sempre contigo. De tua casa só podes fugir para teu coração. Porém, para onde fugirás de ti mesmo?"

A sinceridade consigo mesmo é muito difícil, pois raramente nos conhecemos como deveríamos; por isso, preferimos negligenciar nossas sombras interiores. Precisamos, diz Agostinho, sermos juízes imparciais de nós mesmos e fazer de nossa consciência um tribunal, onde a reflexão faça o papel da acusação, a consciência seja nossa testemunha e o medo seja o nosso carrasco. E, uma vez constatada nossa culpa, derramaremos as lágrimas do arrependimento e da emenda (cf. sermo 351,4,7).

Mas se devemos nos preocupar em não adular nossos defeitos, isso também vale para os dos outros? Sim, diz Agostinho; amar é preocupar-se com o outro. Falando sobre a amizade, escreveu: "Seremos mais amigos dos nossos amigos quando formos inimigos dos seus defeitos." Quem permite que seu amigo tome caminhos errados sem preveni-lo dos riscos não é um verdadeiro amigo. Ninguém em sã consciência, pergunta nosso santo, deixaria uma ferida aberta e não procuraria, ao contrário, curá-la imediatamente, mesmo que fosse doloroso para quem recebe os curativos. Por isso, devemos aplicar nas feridas dos outros que nos são caros o remédio amargo da verdade. Nem todo aquele que é indulgente para conosco é nosso amigo, nem todo aquele que nos castiga é nosso inimigo. É melhor amar com severidade do que enganar com doçura (Epístola 93,2,4).


Artigo escrito por:
interioridade












Fonte Centro de Estudos Agostinianos
Imagem Centro de Estudos Agostinianos
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