A humildade: nossa grandeza
 
 

A humildade: nossa grandeza

A humildade, paradoxalmente, é uma virtude humilde. Ela brilha, escondendo-se. É a virtude cristã por excelência. O Cristo encarnado é o supremo exemplo de humildade, que deve ser sempre imitado, diz Agostinho. (cf. Sermo 123,3,3)

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17.10.2023 - 15:46:00 | 3 minutos de leitura

A humildade: nossa grandeza

Falar da virtude da humildade em Agostinho é impossível sem tomar sua própria pessoa como ponto de referência. Com efeito, um homem que teve a coragem de abrir seu coração da forma como o fez nas Confissões e depois, no final da vida, escrever uma obra chamada "Retratações", onde ele revisa e se retrata pelos erros cometidos em suas obras, é um modelo a ser imitado. É um exemplo para todos de humildade, sobretudo de humildade intelectual.

A humildade, paradoxalmente, é uma virtude humilde. Ela brilha, escondendo-se. É a virtude cristã por excelência. O mundo antigo, de modo geral, a desconsiderava. Mas a revolução causada pela encarnação do Verbo de Deus mudou o eixo do mundo, confundindo os sábios e mostrando a força da cruz de Cristo. O Cristo encarnado é o supremo exemplo de humildade, que deve ser sempre imitado, diz Agostinho (cf. Sermo 123,3,3).

De fato, Ele sendo Deus e, portanto, tendo tudo, sendo tudo, em um ato extremo de humildade se fez homem. Já o homem, não sendo nada, não tendo nada, só a miséria tendo como companheira, em um ato de soberba quis ser como Deus, segundo o relato do Gênesis. O primeiro pecado do homem, diz Agostinho, foi a soberba, que envenenou o seu coração. Por isso, Cristo trouxe com sua encarnação o remédio da humildade para curar nossa soberba. Aceitar-se como homem: isso é humildade (In Joan 25,16). Aceitar-se como homem significa reconhecer nossa criaturalidade, sempre limitada e frágil. O homem nasceu criatura e quis ser Deus; Deus sempre foi Deus e se fez homem.

Por isso, para aqueles que lhe escreviam pedindo conselhos sobre a vida intelectual e outras questões, ele recomendava como primeira coisa a humildade. De fato, disse a um de seus discípulos: "Para chegar à Verdade, caro Dióscoro,.. A primeira via é a humildade, a segunda é a humildade e a terceira ainda é a humildade. E toda vez que me interrogares sobre isso, te responderei sempre assim" (Carta 118). Se vê que ninguém louvou tanto a humildade e combateu a soberba quanto Agostinho. E por que essa sua frequente insistência quase ad nauseam sobre o cuidado que devemos ter com esse vício capital?

A razão pela qual devemos vigiar sempre é porque a soberba se infiltra nas boas obras. Diz Agostinho, os outros vícios produzem obras más. Contudo, a soberba se infiltra nas boas obras fazendo com que elas pereçam (Regra n.). Isto é, muitas vezes fazemos obras boas, mas não as fazemos movidos pela reta intenção. Em muitos casos, a raiz das boas obras é a soberba. O Doutor da Graça nos dá um exemplo baseado em nosso ato de fazer caridade. A caridade dá de comer ao faminto; também a soberba o faz. Contudo, a caridade o faz para que Deus seja louvado; a soberba o faz para louvar a si mesma (Tratado sobre o Evangelho de São João 8,9). Aliás, ele nos lembra que a simulação da humildade é a maior das soberbas (Sancti Virg, 43,44).


Artigo escrito por:
inquietude














Fonte Centro de Estudos Agostinianos
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