A oração: nossa força
 
 

A oração: nossa força

Neste artigo, analisamos a significativa relação entre oração e desejo segundo Santo Agostinho, revelando como a oração é a expressão do anseio pela comunhão com Deus. Venha conhecer as orientações e inspirações desse grande santo sobre a vida de oração!

Artigos

01.11.2024 - 09:57:00 | 4 minutos de leitura

A oração: nossa força

Santo Agostinho, em sua vida e escritos, falou muito sobre a importância da oração. Contudo, ele não nos deixou um sistema ou método rígido sobre como orar, mas apenas orientações, pistas e recomendações. Essas orientações, e sobretudo suas orações, pois Agostinho escrevia suas obras como quem orava a Deus, estão espalhadas em seus escritos, como nos Comentários aos Salmos, no Sermão 56, na Carta a Proba, inteiramente dedicada à oração, e nas Confissões, que podemos catalogar como a mais longa oração escrita a Deus. Neste artigo, abordarei a relação entre a oração e o desejo, enquanto outros temas interessantes sobre a oração agostiniana serão tratados nos próximos episódios.

Para entendermos a oração em Agostinho, é necessário compreender sua visão cristã de mundo. Ele via a vida humana como uma peregrinação. O homem é um peregrino neste mundo, que não é sua morada permanente. Fomos exilados de nossa verdadeira pátria e nos tornamos forasteiros e caminhantes. O que marca nossa existência peregrina é o desejo. Sentimos e ansiamos pela pátria. Desejamos Deus e aquela plenitude que só Ele pode oferecer-nos. Por isso, para Santo Agostinho, orar nada mais é do que aspirar à pátria; orar, em última instância, significa desejar ardentemente retornar à pátria, retornar à comunhão com Deus. Ele diz: "Teu desejo é tua oração."

Nossa oração será frequente se frequente e intenso for nosso desejo pela pátria. Agostinho escreveu: "Há outra oração interior e contínua: é o desejo. Ainda que faças qualquer outra coisa, se desejas aquele repouso do sábado eterno, não cessas de orar. Se não queres cessar de orar, não cesses de desejar" (Comentário ao Salmo 37). Devemos nos sentir como peregrinos que desejam a pátria, como nômades que buscam repouso após vagar por um deserto árido. Porém, enquanto peregrinamos, não pode nos faltar a sede de Deus, o desejo da pátria e da plenitude.

As palavras não são essenciais para a oração, mas são parte da pedagogia divina para chegarmos a Ele. As palavras expressam os desejos do coração e ajudam o “peregrino” a avançar no caminho. "Oramos incessantemente por meio da fé, da esperança e da caridade. Porém, em certos intervalos de horas e tempos, oramos também vocalmente ao Senhor, para nos admoestarmos com os símbolos daquelas realidades" (Carta 130, 9, 18). A Escritura, segundo Agostinho, oferece-nos a linguagem do desejo, pois fala de Deus, de Seu Reino e da comunhão com Ele. Quando lemos as Escrituras, atiçamos o desejo pelas realidades mais sublimes e nos recordamos de nossa necessidade de Deus.

Santo Agostinho utiliza várias imagens para ilustrar a oração e sua necessidade. Na Carta 130 a Proba, rica viúva romana, ele, aproveitando-se do estado de vida dela, usa a metáfora da viuvez para incentivá-la a clamar e buscar sempre. Assim como a viúva se sente desamparada e desconsolada, também nossa alma deveria sentir-se e, por isso mesmo, buscar o Senhor, o único que pode consolá-la nesta terra de deserto e peregrinação. Em outros momentos, ele usa o exemplo do mendigo, sempre necessitado e em busca, para nos exortar a sermos mendigos diante de Deus, lembrando-nos de nossa indigência espiritual. Muito bela e interessante é também sua comparação entre nossa necessidade de orar e o trabalho da formiga: "Desperta, fica acordado, tenha o coração de uma formiga. Estamos no verão; recolha o que é proveitoso para o inverno. Quando tudo vai bem, é o verão. Portanto, quando tudo vai bem, olha com o que te sustentará quando tudo começar a ir mal. Está tudo bem, é verão. Não sejas preguiçoso; recolhe grãos na eira do Senhor, as palavras de Deus da Igreja de Deus; recolhe e esconde-as no teu coração, pois a todo homem chega a tribulação" (Sermão 38, 6).

Vive de tal modo que tua vida seja uma oração. Canta a Deus com a boca, salmodiai com as obras (Comentário ao Salmo 91, 3).


Artigo escrito por:
interioridade












Fonte Centro de Estudos Agostinianos
Mais em Artigos
 
 

Copyright © Província Agostiniana do Brasil - Ordem de Santo Agostinho.
Direitos reservados, navegando no site você aceita a política de privacidade e termos de uso.

Um projeto feito com por
 
Quer saber mais sobre o vocacional?

Clique no botão ao lado para saber mais.

Clique aqui!