A soberba: o maior impedimento para o nosso crescimento
Você já se perguntou qual é a raiz de todos os pecados e o maior obstáculo para o crescimento espiritual? Em nosso novo artigo, exploramos como a soberba, o pecado arquetípico segundo Santo Agostinho, se torna o principal impedimento para a verdadeira transformação interior. Descubra como a soberba, o amor desordenado a si mesmo, se separa do Criador e leva a alma a se apegar às coisas inferiores.
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13.09.2024 - 09:36:00 | 4 minutos de leitura

O pecado entra em cena na história humana quando a criatura racional, ao invés de submeter-se voluntariamente ao Criador, busca ser o criador, invertendo os papéis. Qual é o sentimento inspirador dessa revolta metafísica originária? Agostinho encontra a resposta na Escritura, no livro do Eclesiástico. Qual é, pois, o início dos pecados? Interroguemos a Escritura: "O início, disse, de todos os pecados é a soberba" (Agostinho, Serm. 346B,1). A soberba é o pecado arquetípico, a fonte de onde emanam todos os outros pecados. Agostinho a define como "um amor à própria excelência" (cf. Gn. litt. 11,14,18). É amar mais a si mesmo do que a Deus. É um movimento da alma que se separa de Deus e se apega às coisas inferiores.
Comentando o primeiro pecado das criaturas racionais, Agostinho interpreta Gênesis 3, versículos 1 a 22, à luz do texto de Eclesiástico 10, versículos 14 a 15, e conclui, junto com a Escritura, que a soberba é a raiz de todos os males. Ela é a responsável pela transgressão dos mandamentos divinos dados por Deus às primeiras criaturas. Este ato rebelde originário, causado pela soberba, fez com que as criaturas racionais, criadas boas, amassem mais a si mesmas do que ao Criador. "Outros, no entanto, ansiosos por seu próprio poder, como se fossem um bem em si mesmos, decaíram do bem supremo beatificante universal para os bens particulares... tornaram-se orgulhosos, mentirosos, portadores de ódio" (Agostinho, Civ. 12,1,2). A soberba é um perverso amor de si mesmo em detrimento do Criador. Em outros textos, Agostinho ensina que "a alma presunçosa prefere o próprio poder à justiça" (cf. Civ. 12,8; Trin. 13,17).
O primeiro ser que preferiu a si mesmo em lugar do Criador foi o demônio, que, invejando a felicidade do primeiro casal, tentou-os ao pecado. Desse seu primitivo gesto de soberba, originaram-se, devido à imitação do seu vício pelo primeiro casal, todas as consequências maléficas para o gênero humano. O demônio, que recordemos, era bom, porque criado por Deus, amou mais a si mesmo do que a Deus, gostou mais de suas prerrogativas do que das de Deus, enamorou-se mais de si mesmo do que de Deus. Era criatura, quis ser criador. Não quis submeter-se voluntariamente ao seu Criador para tornar-se senhor de si mesmo. "É melhor ser senhor no inferno do que servo no céu", teria dito o anjo decaído, segundo a obra literária Paraíso Perdido, de John Milton.
A soberba é responsável por operar no íntimo do homem esse nefasto desejo de imitar Deus perversamente. Ela não deseja submeter-se a Deus, mas deseja submeter todos ao seu domínio. Não aceita a paz de Deus, preferindo estabelecer a sua própria paz (cf. Civ. 19,12,2). É próprio da soberba querer igualar-se à grandeza de Deus. A soberba está na origem de todos os movimentos da alma. Ela é a autora de todas as desgraças da história humana, que nada mais é do que o seu resultado. Não existe outro sentimento capaz de afastar mais o homem de Deus do que a soberba. O soberbo peca na medida em que coloca todo o seu bem e toda a sua justiça em si mesmo, e não em Deus. Por isso, ela é o vício mais terrível, aquele que nos impede de chegar a Deus e de crescer espiritualmente.
Agostinho menciona o poder devastador desse vício praticamente em todas as suas obras. De fato, nenhum outro vício se torna tão perigoso quanto a soberba, devido ao seu poder de misturar-se com as boas obras. Agostinho era pessoalmente comprometido na luta contra esse vício capital, que só poderia ser curado com a medicina salutar do Verbo encarnado, ou seja, a humildade. Para ele, o soberbo, ao atribuir tudo a si mesmo, esquece-se de que tudo é graça. De fato, de que pode o homem orgulhar-se, uma vez que tudo o que tem lhe foi dado? (cf. 1 Cor 4,7).
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Fonte Centro de Estudos Agostinianos
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