Caminhar Sempre
 
 

Caminhar Sempre

Aprender sempre, avançar incessantemente e jamais se contentar. Leia agora e descubra o caminho para a evolução espiritual e humana segundo Santo Agostinho.

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02.05.2024 - 11:27:00 | 3 minutos de leitura

Caminhar Sempre

O que mais chama atenção na personalidade de Agostinho é a sua consciência de ser apenas um aluno, um aprendiz. Ele recusava-se a ser alguém completo, justo e perfeito. Nunca se considerou um mestre, possuidor de todas as respostas prontas sobre a melhor forma de caminhar. Em um de seus sermões, confessou: "Continuo sendo um bom mestre enquanto sigo sendo um bom aluno" (Sermão 244,2). Por mais que tenha alcançado posições que poucos homens conseguiram, sempre se sentia insatisfeito e desejoso de caminhar e seguir aprendendo.

Mas o que nos faz caminhar, ir sempre adiante? É a percepção de nossa imperfeição. Ainda não sou, por isso prossigo. Ainda não possuo, por isso me esforço. Ainda não cheguei, por isso sigo caminhando, não desistindo e enfrentando os obstáculos. “A esperança de chegar é ânimo para andar” (Sermão, 158,8). A consciência do quanto ainda nos falta caminhar é o que nos permite andar. Somente os conscientes de seus limites progridem. Os satisfeitos, os preguiçosos, ficam pelo caminho.

Para progredir, avançar é mister fazer frequentemente e, por que não dizer, diariamente, um exame sincero de nós mesmos. Isso evitaria certamente o risco da satisfação, da inércia e a síndrome do "eu nasci assim, vou morrer assim". Enfim, não gostar do que somos, desagradar-se conosco mesmos, segundo Agostinho, é essencial para nosso crescimento e evolução espiritual. Em um belo texto, ele diz: "O que é andar? Brevemente respondo: avançar (...) Examina-te a ti próprio. Que sempre te desagrade o que és, se queres chegar ao que ainda não és. Pois quando te agradaste a ti próprio, aí te ficaste. Pois se dissesses 'basta', nesse momento pereceste. Cresce sempre, caminha sempre, avança sempre; não fiques no caminho, não voltes atrás, não te desvies. Fica quem não avança: retrocede quem volta às coisas que já tinha deixado; desvia-se quem apóstata".

Muitas vezes não gostamos do ritmo de nossa caminhada, queremos apressar o passo. Mas o mais importante não é a quantidade dos passos, mas a sua firmeza e a consciência de que estamos na direção certa. No mesmo sermão, Agostinho, referindo-se àqueles que são mais velozes, mas não vão pelos justos caminhos, disse: "É melhor ser coxo pelo caminho do que correr fora dele" (Sermão 169, 15,18). É preferível ser uma tartaruga nos caminhos do Senhor do que um Aquiles veloz nos caminhos errados.

Andar sempre, progredir, avançar e, sobretudo, buscar nosso aperfeiçoamento humano e espiritual é uma missão árdua, que não exime ninguém de percorrê-la. Não há desculpas, todos devemos progredir. Aliás, é isso que nos recomenda Agostinho: "Procura progredir sempre, não importa os anos que tenhas" (Sobre a Ordem 2,8). O próprio Agostinho aplicou essa regra à sua vida, pois quando já contava com mais de 75 anos, nas noites escuras do seu quarto, depois de dias cansativos de atividades pastorais, deu vida a uma grandiosa obra, as Retratações, onde o velho Agostinho revisa sua vida e seus escritos.


Artigo escrito por:
interioridade













Fonte Centro de Estudos Agostinianos
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