O correto uso do dinheiro
 
 

O correto uso do dinheiro

“Descubra com Santo Agostinho o verdadeiro sentido da riqueza e da pobreza: uma reflexão sobre o correto uso do dinheiro e a busca pela liberdade interior.”

Artigos

29.04.2024 - 10:33:00 | 3 minutos de leitura

O correto uso do dinheiro

Quando Santo Agostinho fala sobre a pobreza e a riqueza, não realiza uma análise sociológica, mas tenta mostrar as suas consequências para o seguimento de Cristo. A pobreza é má e precisa ser combatida vigorosamente, e isso já era ensinado pelo nosso Santo. A título de exemplo, Agostinho uma vez vendeu alguns bens da Igreja para alimentar os famintos. Ninguém deve amar a pobreza entendida como escassez de recursos. Devemos amar e buscar a liberdade que ela gera em nós quando nos desprendemos, sobretudo, do desejo e da avareza: “Não abracem a pobreza por amor à própria pobreza. Isso é miséria. Abracem a pobreza pelo amor à sua liberdade. Assim se libertarão da ambição e poderão voar acima dos interesses mundanos” (Sermão 113, 1,1).

Isso significa dizer que Santo Agostinho defendia a riqueza como um bem? Sim. Ele a considerava neutra. Quer dizer: tanto pode contribuir quanto atrapalhar na salvação pessoal. Assim sendo, é permitido ao cristão buscar riquezas? Não. E a resposta agostiniana será sempre negativa, pois o maior tesouro do homem é Deus, como ensina o Evangelho: “Amar o Senhor teu Deus de todo coração (cf. Mc 12, 20-33); “buscar o Reino de Deus e sua justiça e as demais coisas virão por acréscimo” (Cf. Mt 6,33). Ou, no dizer de Santo Agostinho: “comparado com os bens que deseja [a vida eterna], o cristão é necessariamente pobre, pois considera tudo o que tem como nada” (Com. ao salmo 68, II, 14).

Portanto, a pobreza e a riqueza, no fundo, são neutras. Depende do uso que o homem faz delas (cf. Sermão 72, 4-5). O acento recai sobre o sujeito moral e não sobre o objeto. A título de exemplo: a virtude da faca é cortar bem. Jamais devemos culpar a faca pelo mau uso que dela se faz. Do mesmo modo, a virtude do homem é saber usar retamente as coisas. Neste sentido, Agostinho, conhecedor profundo do ser humano, percebeu que o problema inerente à riqueza é o possível desvio que o homem pode fazer com ela. “Os bons usarão bem as riquezas, os maus erradamente. O ouro e a prata para os maus é uma coisa má, mas para os bons é um bem. Não porque o ouro os torne bons, mas porque o ouro encontra aquele que é bom; este o usará de forma justa” (sermão 72,4, 48,8).

Para Santo Agostinho, ao lado do desejo de ser pobre, entendido como levar uma vida austera e simples, que não se entende como carência de bens, o mais importante é trabalhar o desejo de posse. Assim, da pobreza material passamos para a pobreza do desejo. No desejo desenfreado habita todo problema: “Deus não olha a bolsa, mas o desejo” (com. ao salmo 131,16). Pois, com efeito, quando o homem se afasta de Deus e começa a viver somente para si, buscando seus interesses, suas vontades; ele então começa a viver entre as coisas, a amá-las, a viver com elas e para elas. Em outras palavras: seremos possuídos pelas coisas, em vez de possuí-las. “Possuamos coisas terrenas sem que elas nos possuam. Que as coisas materiais não nos aprisionem por sua abundância e nem nos afundem por sua carência. Façamos com que elas nos sirvam sem fazer-nos seus servidores” (Ep.15,2). Maravilhosamente dito, nada mais precisamos dizer.


Artigo escrito por:
interioridade












Fonte Centro de Estudos Agostinianos
Mais em Artigos
 
 

Copyright © Província Agostiniana do Brasil - Ordem de Santo Agostinho.
Direitos reservados, navegando no site você aceita a política de privacidade e termos de uso.

Um projeto feito com por
 
Quer saber mais sobre o vocacional?

Clique no botão ao lado para saber mais.

Clique aqui!