Viver como cristão, segundo Santo Agostinho
 
 

Viver como cristão, segundo Santo Agostinho

Será que vivemos de acordo com o nome que professamos ou estamos enganando a nós mesmos e aos outros? Neste artigo, exploramos as reflexões de Agostinho sobre a integridade da vida cristã, o valor do testemunho diante do mundo e o perigo dos falsos cristãos.

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09.09.2024 - 08:56:00 | 3 minutos de leitura

Viver como cristão, segundo Santo Agostinho

Segundo Santo Agostinho, somos usurpadores quando nos dizemos cristãos, mas não o somos na vida e na conduta. “Não nos deixemos enganar pelo fato de que nos chamem cristãos. Admitamos, ao contrário, que merecemos ser reprovados se usamos um nome ao qual não temos direito” (De vita Christiana, 6). Aquele que se chama cristão, mas não alinha sua vida aos ensinamentos de Cristo, engana a Deus e a si mesmo. Em toda a sua trajetória pessoal e, sobretudo, nos seus escritos, Agostinho desejou e buscou intensamente unir a fé professada com a vida cotidiana.

Agostinho estava muito preocupado com o testemunho. Certa vez, quando houve um escândalo envolvendo um de seus monges que mentiu, ocultando suas riquezas, ele veio a público para pedir desculpas pelo incauto companheiro de mosteiro. Poucas vezes ele foi tão duro com um falso cristão quanto foi com este clérigo, chegando a dizer: "Onde eu for bispo, este jamais poderá exercer o ministério." Palavras duras, mas compreensíveis pelo seu zelo pelo bom testemunho diante do povo de Deus. Para aqueles que diziam, ao serem interpelados pelos erros tornados públicos: "Estou em paz com minha consciência, deixe que as pessoas falem", Agostinho respondia que, quando se trata de testemunho cristão, não basta estar em paz com a consciência, mas é necessário também ter um bom nome na praça.

O nome de cristão denota, ensina Agostinho, justiça, bondade, integridade, paciência, castidade, prudência, inocência e piedade, mas é um triste espetáculo quando os cristãos são associados com injustiça, corrupção, avareza e mortes. Quem, pergunta nosso Santo, seria tão miserável a ponto de se atrever a passar por letrado sem saber as letras? Quem seria louco em fingir ser soldado sem saber pegar em armas? Para ser aclamado como artista, é preciso fazer obras de arte. Como, então, te atreves a chamar-te cristão se não te comportas como tal? (De vita Christiana, 6).

Conta-se que, diante de um soldado covarde, que se negava a combater, Alexandre, o Grande, foi até ele para convencê-lo a enfrentar os inimigos. Aproximando-se do soldado covarde, perguntou-lhe seu nome. Aquele respondeu, trêmulo: "Meu nome é Alexandre." Então, o grande conquistador olhou fixamente em seus olhos e disse: "Ou mudas tua conduta ou mudas teu nome." Da mesma forma, ou vivemos como cristãos verdadeiros, ou mudamos de rumo e de conduta. Os falsos cristãos prestam um grande desserviço à fé, pois afastam muitíssimos irmãos que, porventura, gostariam de se aproximar de Cristo.

Comentando a primeira carta de São João, naquela parte que fala sobre o anticristo, Agostinho se expressou assim: "Aquele que nega que Jesus é o Cristo é um anticristo. Aquele que nega Cristo por meio de suas obras, ainda que o confesse com suas palavras, é um anticristo. Anticristo significa ser contrário a Cristo" (In Epistulam Ioannis, 3,4).


Artigo escrito por:
interioridade












Fonte Centro de Estudos Agostinianos
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